GRÁFICOS PERDEM EMPREGO DIANTE DA QUEDA NA DEMANDA POR CADERNOS NO BRASIL E EUA. SINDICATO DARÁ ASSISTÊNCIA

Atrelada à demanda escolar, é comum as gráficas brasileiras do ramo de cadernos demitirem os gráficos no período da entressafra. Uma exceção era a Jandaia, em Caieiras. Há cerca de 15 anos mantinha algo em torno de 450 empregados. A pauta de exportação da empresa, sobretudo para os EUA, explica parte desse perfil. Sua forte presença no mercado interno é o outro motivo. É fornecedora para grandes atacados e o Poder Público. Porém, nesta semana, depois de dois meses evitando demissões, mesmo com a paralisia da economia nacional e global por conta do coronavírus, provocando grande queda na demanda e produção também de cadernos, a Jandaia demitiu 54 trabalhadores, com a promessa de recontratá-los no pós-pandemia e recuperação produtiva da empresa. O Sindicato já entrou no caso. A fim de evitar um dano maior aos gráficos, já falou com a gráfica e, mesmo com a pandemia, vai à Caieiras conferir a rescisão para agilizar o pagamento das verbas e na liberação do FGTS e Seguro-Desemprego.

Com a mão de obra qualificada que possuem, o sindicato também buscou saber da Jandaia se eles podem ser recontratados após o fim do cenário pandêmico. A empresa garantiu que sim quando (se) retomar a produção habitual. O Sindigráficos ainda consultou a gráfica sobre o critério usado para os desligamentos. A gráfica garantiu que utilizou o princípio social a fim de causar um dano menor à empresa e à família do trabalhador. A maioria das demissões foi de gráficos com menor tempo de Jandaia e daqueles que não eram responsáveis pela família. “Contudo, demissão é sempre demissão. Estamos tristes por isso e agilizaremos a homologação da rescisão de todos, mesmo não sendo obrigatório desde 2017 pela nova lei trabalhista. A ação fará com que recebam os seus direitos mais rápido”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato da classe (Sindigráficos).

Sobre o pagamento dos direitos deles todos, o sindicalista se adiantou e conversou com a gráfica. Mesmo com queda produtiva e no faturamento, a Jandaia se comprometeu em pagar todas as verbas rescisórias, FGTS e a multa de 40% do FGTS. E na homologação liberar autorizações para o saque desses valores, assim como relativa ao Seguro-Desemprego. “O pagamento dos direitos já deve ser depositado na conta de cada gráfico na próxima semana”, conta Leandro. As homologações dessas rescisões serão realizadas na mesma semana, ou na próxima, na própria empresa. Com ou sem covid-19, o sindicato continuará sempre ao lado do gráfico. Os sindicalistas utilizarão EPIs de modo a protegeram a saúde de todos.

Há dois meses, desde quando a crise do coronavírus estourou no Brasil, o Sindigráficos vem acompanhando a situação junto às gráficas da região. Desde do início vem cobrando medidas sanitárias e de higiene para que o trabalhador não contraia covid-19. Na Jandaia, por exemplo, a utilização de máscaras é obrigatória entre todos os empregados. A luta sindical tem sido também pela manutenção do emprego e garantia da renda. Orientou todas as empresas a concederem licenças remuneradas e depois férias coletivas e antecipação de férias. Tudo feito para a preservação da renda e do trabalho. Foi inclusive o que a Jandaia fez nos últimos 60 dias. “Mas, infelizmente, com a queda no pedido de cadernos pelos governos e todos clientes privados, como Havan, e até os clientes dos EUA, as demissões aconteceram nesta proporção após mais de 15 anos”, lamenta Leandro.