GRÁFICOS PROCURAM SINDICATO APÓS MAIS FALHAS DA NOVA FLEX. SEM SINDICALIZAÇÃO, CRESCE RISCO CONTRA DIREITOS

Não é porque é a semana carnavalesca que o direito dos gráficos deixa de ficar ameaçado e precisa ser protegido. Neste sentido, em Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região, o Sindicato da classe (Sindigráficos) tem feito blitz para coibir as sonegações empresariais contra os trabalhadores. E não demorou para se descobrir problemas. Há poucos dias, a entidade investigou uma situação denunciada na gráfica Nova Flex, em Itupeva. A empresa deixou de fazer o depósito mensal do FGTS dos empregados, como trata a lei no valor de 8% sobre o valor da remuneração do gráfico. O Sindigráficos notificará a empresa para tratar dessa e mais questões caso aparecem. “Apesar de não ter muito tempo na nossa região, sendo enquadrada só há cinco anos, não é a primeira vez que defendemos os funcionários da Nova Flex, que é do setor de rótulo de etiqueta gráfica”, conta Jurandir Franco, diretor sindical que atua diretamente neste caso.

Dessa vez, reclamações apontaram que faz cinco meses que a empresa não recolhe mais FGTS dos empregados. A blitz sindical foi até o local, mas não conseguiu falar diretamente com ninguém responsável, porém já notificou a empresa para se reunir. “Aguardamos um retorno urgente. Esperamos que agende um encontro conosco aqui no Sindigráficos para abordamos o caso e buscarmos uma solução, sem problemas maiores ou complicações”, explica Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato.

Este é a terceira vez que o Sindigráficos chama a atenção da Nova Flex depois de denúncias dos funcionários. “Da outra vez, precisamos intervir após verificarmos que estava defasado o valor do vale-alimentação dos trabalhadores – direito equivalente à cesta básica mensal, a qual é um dever patronal baseado na Convenção Coletiva de Trabalho da classe”, diz Rodrigues. Pela regra, o valor pago precisa corresponder a um total suficiente para comprar todos itens da cesta, definidos pela convenção.

Da segunda vez, após a queixa dos próprios funcionários, o Sindicato interveio em favor deles para que a empresa pagasse a hora-extra do trabalho a mais realizado durante os dias da semana quando um sábado foi feriado. “No local, foi cobrado trabalho extra, sem pagamento, a título de um entendimento equivocado de compensação da jornada semanal”, diz Franco. O dirigente aproveita para explicar que nenhuma empresa pode elevar 7h20 na jornada semanal dos gráficos para compensar o tal sábado-feriado, devendo ter de pagar por tal hora-extra, se isso ocorrer.

O gráfico da Nova Flex ou de qualquer outra gráfica da região sabe que seu sindicato não aceita falhas no cumprimentos dos direitos da classe, atuando firme na empresa em defesa de todos. O trabalhador, por sua vez, também precisa fazer a sua parte, sindicalizando-se para garantir com que a entidade representante da categoria possa continuar agindo.

Por sinal, embora costume recorrer ao Sindicato diante dos problemas, os atuais 20 gráficos da Nova Flex ainda não filiaram, ameaçando seus direitos diante do não fortalecido do órgão sindical. “Conversamos sobre esta justa, urgente e necessária sindicalização com cada um deles na última semana, deixando a ficha de filiação”, contam os sindicalistas que estiveram no local e acreditam que cada gráfico atenderá o chamado.