GRÁFICOS SEGUEM EXEMPLO DE METROVIÁRIOS EM DEFESA DE SEUS DIREITOS E DEFINEM PAUTA DE REIVINDICAÇÃO PARECIDA

Nesta semana, infelizmente, diante da ineficiência do governo federal no combate à covid-19, mais de 90 mil brasileiros morreram, como o gráfico Edilson Ribeiro, da Gonçalves em Cajamar. Portanto, a responsabilidade das empresas com os trabalhadores não diminui por conta da pandemia, mas aumenta para a garantia da proteção da saúde e segurança deles. A crise não pode ser usada como desculpa para precarizar o trabalho e a vida dos empregados, mas mantê-los. Neste espírito, os metroviários não aceitaram a redução de seus direitos, apesar de ser o desejo do governo. Seguindo tal princípio, atentos às restrições de aglomerações para evitar o contágio do coronavírus, gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região se reuniram no seu sindicato anteontem (29), em assembleias realizadas em três horários distintos: manhã, tarde e noite. Aprovaram uma pauta de reivindicação enxuta e apresentarão ao patronal nesta segunda-feira (3).  
 
“A categoria aprovou uma pauta onde o foco é a preservação dos direitos da Convenção Coletiva de Trabalho e a recuperação das perdas salariais diante da inflação anual. Entenderam que não é o momento de cobrar das empresas novas pautas econômicas devido à crise sanitária, tampouco é justo o patronal se aproveitar da situação caótica para retirar direitos que já existem. Por esta razão, a reivindicação é a manutenção dos direitos já existentes, a exemplo da Participação dos Lucros e Resultados (PLR). A pauta enxuta é equilibrada e estará sendo entregue, em conjunto com as reivindicações dos trabalhadores gráficos das demais regiões do estado de São Paulo”, diz Leandro Rodrigues, que é presidente do Sindigráficos.
 
A única pauta “nova”, a qual não pode ser nem assim classificada porque foi retirada pelo patronal em 2018, é a volta da obrigatória homologação no sindicato da rescisão contratual dos trabalhadores de todas as gráficas da região. “Não basta ter apenas a recomendação patronal, como é hoje, mas esta cláusula deve ser reintroduzida em nossa convenção coletiva de direitos, pois, desde que ela foi retirada, muitas gráficas atropelam tal recomendação do sindicato dos patrões, e fazem a rescisão de todo jeito. Com isso, temos acumulado casos de empresas que demitem e pagam aos gráficos o que querem, como e quando querem, demitem até doente, sendo corrigidos somente alguns desses casos, mas apenas quando chegam até nós”, fala Leandro.
 
A campanha salarial 2020 dos gráficos da região, que inicia oficialmente agora, será em homenagem ao gráfico Edilson, que, antes de ser vitimado pela covid, sempre foi sindicalizado e já esteve em várias campanhas em prol dos direitos da categoria, como bravamente fizeram os metroviários está semana, não permitindo a retirada de direitos como defendia o governo João Dória.
 
Com este símbolo de consciência política da classe trabalhadora, os gráficos, durante a assembleia anteontem, definiram ainda o prazo para que aquele trabalhador que, infelizmente, não queria contribuir com o custeio sindical para a luta nesta campanha pela manutenção dos seus próprios direitos. O prazo iniciou a partir do dia da assembleia e termina dia 7/8. O gráfico, que se enquadrar neste perfil contra o fortalecimento desta luta, precisa ir nas sedes regionais da entidade em Jundiaí ou em Cajamar, das 9h às 12h e das 13h às 17h, e entregar pessoalmente a sua carta de oposição, escrita de próprio punho em duas vias.