GRÁFICOS(AS) DE JUNDIAÍ E REGIÃO ENCAMPAM CAMPANHA PELO FIM DA CULTURA DE ESTUPRO E DE ASSÉDIO SEXUAL

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O maléfico caso do estupro coletivo de uma jovem de 16 anos por mais de 30 homens no Rio de Janeiro há alguns dias acendeu a atenção da opinião pública sobre este grave problema relacionado a própria cultura brasileira, proveniente do machismo, iniciada desde a formação do país. O assédio sexual no ambiente de trabalho também deriva desta mesma cultura que valoriza a cultura do desrespeito, exploração e da violência contra a mulher. Em Cajamar, por exemplo, há alguns anos uma gráfica foi estuprada e depois assassinada pelo motorista do ônibus fretado da empresa em que ela trabalhava. O estupro afeta o corpo e a alma e não pode continuar. Já o assédio sexual normalmente não afeta o corpo, mas destrói o psicológico da vítima. Trabalhadores e trabalhadoras gráficas das empresas Log&Print, Cunha Fachinni, Jandaia e Nova Página, liderados pelo Sindicato da Classe (Sindigráficos), encamparam uma campanha contra a Cultura de Estupro e Assédio Sexual no ambiente profissional em defesa das 1,5 mil profissionais que formam o setor em Jundiaí e região.

cunha1“Vinte e cinco por cento da categoria da região é formado por mulheres. E elas ou ninguém não devem ser estupradas ou assediadas sexualmente”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, repudiando o caso do estupro coletivo no RJ e o mesmo crime seguido de morte da gráfica de Cajamar no passado. Ele lembra que o corpo dela só foi encontrado depois em um matagal da mesma cidade. O estuprador foi assassinado um tempo depois do ocorrido.

Estes crimes chamam a nossa atenção para o tamanho da crueldade da cultura do estupro – valorização da dominação do corpo da mulher pelo homem. A situação expõe ainda outro mal que pode estar acontecendo neste momento e ninguém toma conhecimento, exceto a vítima. “E isto costuma acontecer quando o crime se trata do assédio sexual no local de trabalho, que prejudica significativamente o emocional da profissional a ponto de gerar nela doenças e transtornos mentais e incapacidade ou baixa produtividade laboral”, destacam Marcelo Sousa e Valdir Ramos, diretores do Sindigráficos.

7 jandaia1O assédio sexual é sempre um ato de poder, ou seja, parte do superior hierárquico. E ocorre quando há proposta ou insinuação repetida e não desejada pela subordinada. “O assédio pode acontecer de forma verbal, subentendida, através de gestos ou por contato físico. Identifica-se tal prática quando o superior hierárquico quer buscar intimidade sexual em troca de algum benefício no trabalho à subordinada”, conta Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos. Oferecer ou manter o emprego é uma dessas formas, bem como oferecer promoção de função ou condições de trabalho. Também pode acontecer quando humilha a possível vítima no local de trabalho ou quando prejudica o seu rendimento profissional. Paquera e assédio é sempre muito diferente. O primeiro caso há interesse dos dois envolvidos. Já o assédio sexual sempre só há um.

nova1“Por se tratar de um crime que não deixa prova física, o assédio sexual é difícil de ser confirmado na Justiça. Por isso é muito importante juntar provas, como testemunhas e gravações de áudios e/ou vídeos”, alerta o advogado do Sindigráficos, Luisinho Laurindo. A dificuldade de provas faz inclusive que muitas trabalhadoras ou se calem diante deste crime, ou até peçam demissão por não suportar tanta pressão com o assédio.

Laurindo orienta a trabalhadora para nunca se calar ou pedir demissão. O desligamento do trabalho trará problemas econômicos, além de perder vários direitos que lhe pertence quando a demissão não é voluntária. O advogado orienta a profissional a se manter no emprego e evitar ficar sozinha com o assediador, e se for impossível, tentar coletar provas da prática do crime, através das amigas e de fotos e vídeos. Ele lembra que a solidariedade entre as trabalhadores é fundamental para combater o assédio sexual.

log1Com as provas, a trabalhadora deve procurar o Sindigráficos para entrar com ação na Justiça, mas antes mesmo disso, deve procurar o sindicato para denunciar o caso, a fim da entidade expor a situação à direção ou donos da gráfica. “Nosso sindicato não tolera está cultura de assédio sexual, muito menos de estupro. Todos e todas da categoria precisam encampar esta luta contra esta cultura do machismo, ainda presente na nossa casa, na escola, no trabalho e nas ruas”, destaca o presidente e toda direção do Sindigráficos.