GREVE DOS GRÁFICOS DA LOG&PRINT PÕE FIM AO CALOR E CRIA MEDIDAS PARA REDUZIR OS EFEITOS DAS DEMISSÕES

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Apesar de não evitar a demissão de trabalhadores, em função da crise financeira, o movimento grevista dos gráficos da empresa Log&Print, no interior de São Paulo, realizada na semana passada, garantiu medidas para beneficiar os empregados desligados e conseguiu implementar um plano voluntário de demissão para os funcionários que assim quiserem. O movimento paredista, liderado pela entidade de classe (Sindigráficos), garantiu ainda outros benefícios. Acabou com a tensão dos funcionários quanto a mais desligamentos. Pois fim ao imbróglio do calor excessivo na produção. E ainda definiu os encaminhamentos para a consolidação de um acordo de jornada de trabalho na empresa. 

log0“A empresa passa por uma reestruturação e vinha fazendo demissões sem querer discutir com o sindicato os critérios dos desligamentos, nem um plano de benefícios para os demitidos” ressalta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Uma das exigências dos sindicalistas era evitar as demissões a todo custo, mas, se não houvesse nenhum forma de manter todos os postos de trabalho existentes, seria necessário criar um plano voluntário de demissão para os funcionários interessados. A Log&Print chegou a ter mais de 700 funcionários. O sindicato também pedia a garantia de direitos especiais para todos os empregados demitidos da empresa, sendo voluntários ou não. Dentre os benefícios, a ampliação do tempo do convênio médico após a demissão, bem como a entrega de cesta básica, além da cesta de Natal no final do ano. E ainda a indicação do ex-funcionário para outras gráficas, a recontratação dele na empresa quando o movimento produtivo voltar.

log5A Log&Print, que, recentemente, passou a ser liderada por um diretor de Reestruturação, não quis conversa com o sindicato e resolveu demitir mais 70 gráficos na semana passada. A iniciativa do novo diretor acirrou os ânimos dos sindicalistas e dos próprios trabalhadores. E esse foi um dos fatores para o movimento paredista na última quinta (15), que iniciou às 14h30, com os gráficos do 2º turno, e só terminou às 21h30, mesmo com o apoio dos trabalhadores do 3º turno, porque a empresa aceitou discutir as reivindicações postas pelo sindicato, a fim de voltar a produzir.

log4“A greve poderia ter sido evitada, mas, achando pouco as 70 demissões, o novo diretor da Log&Print criou dificuldades para o sindicato se reunir com os trabalhadores em assembleia na quinta. A assembleia iria tratar da posição dos empregados que o sindicato iria debater com a empresa no dia seguinte”, conta Rodrigues. No entanto, o sindicalista fala que o novo diretor segurou os gráficos do 1º turno para não participarem da assembleia, pressionou os gráficos do 2º para não irem e ainda chamou a polícia contra sindicalistas e trabalhadores que faziam a assembleia.  Foi ai que a greve iniciou. E os gráficos do 2º turno cruzaram os braços. Os trabalhadores do 3º turno decidiram entrar na greve também. Foi aí que a empresa decidiu ceder,  garantindo que não haveria desconto das horas paradas  e aceitando negociar com o sindicato as reivindicações referente às demissões. O Sindigráficos também incluiu outras pautas.

log3Em relação aos pleitos iniciais, a empresa se reuniu com o sindicato no dia seguinte da greve, como ficou acordado, e aceitou os termos postos pelo Sindigráficos. A Log&Print garantiu um tipo de plano voluntário para novas demissões, já que haverá mais 140 desligamentos planejados. Também estendeu por mais três meses, depois da demissão, o convênio médico e a cesta básica para os ex-empregados. A empresa também garantiu que pagará, de uma única vez e sem problemas, todas as verbas rescisórias de todos os demitidos. E ainda criará um programa de recolocação dos ex-funcionários no mercado de trabalho novamente. Ou seja, a empresa cuidará do currículo dos ex-trabalhadores e enviará a outras gráficas da região. Comprometeu-se ainda em recontratá-los em caso de reaquecimento do setor e da maior produção da empresa.

log2A greve também ocorreu em função da revolta dos trabalhadores diante de tanto calor na produção. O problema se estendia há mais de anos. E a empresa nada fazia para melhorar a situação efetivamente. Foi então que o Sindigráficos exigiu uma medida imediata para sanar a questão do calor extremo. A Log&Print assumiu que, de forma imediata, instalará climatizadores, enquanto desenvolve um projeto de arrefecimento efetivo do local. Até lá, será usado os climatizadores.

O Sindigráficos ainda exigiu que a empresa desse uma resposta sobre a revindicação para consolidação de um novo acordo coletiva referente a jornada de trabalho. Os trabalhadores pleiteiam folgas em sábados alternados. A empresa aceitou discutir um acordo sobre o caso desde que renove alguns importantes clientes dela no próximo mês. Assim, ficou acordado que no dia 23 de novembro, sindicato e empresa voltam a tratar do assunto – período posterior a definição da renovação de contrato desses clientes.

log7A entidade de classe aproveitou para deixar claro para a Log&Print que não aceitará nenhuma política de pressão sobre o Sindigráficos ou sobre qualquer um dos 500 trabalhadores que continuarão na empresa. O sindicato adiantou que a postura do novo diretor de Reestruturação da empresa, se for o de pressão contra a atividade sindical, novos embates e movimentos paredistas ocorrerão. Rodrigues aproveita para agradecer o apoio dos sindicatos dos gráficos de outras regiões (STIG Guarulhos, Sorocaba, Campinas) na greve da Log&Print, bem como as entidades de outras categorias profissionais, como metalúrgicos de Cajamar, servidores municipais e construção civil de Jundiaí.