GRÁFICO DE JORNAIS TEVE GANHO ACIMA DA INFLAÇÃO, MAS FOI MENOR SE COMPARAR O SALÁRIO NAS GRÁFICAS

 

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Hoje existem 177 gráficos trabalhando em 15 jornais de nove cidades que integram a região de atuação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Jundiaí (Sindigráficos). Porém, infelizmente, estes empregados recebem por mês até R$ 274 a menos em comparação aos funcionários das gráficas convencionais. Alguns benefícios trabalhistas também estão abaixo dos valores ofertados nas casas de obras. Sem dúvida, a ganância dos patrões é o motivo para tal cenário, mas não só por isso. A outra razão para a desvalorização se reflete no trabalhador. Ou melhor, na falta de participação dos gráficos dos jornais nas ações das campanhas salarial dos últimos anos. Sem pressão, as conquistas foram menores, pois, o patrão não cede às reivindicações. É preciso dar um fim nesta situação sob pena de continuar vendo os salários e direitos serem encolhidos em comparação aos pagos nas casas de obra. Não há conquista, sem luta. Ela será sempre do tamanho da mobilização. O Sindigráficos convoca os gráficos dos jornais para iniciar um movimento pela recomposição dos salários e dos benefícios. Nesta segunda-feira, a partir das 17 horas, na sede do sindicato, em Jundiaí, será realizada a assembleia dos trabalhadores do jornal para definir as reivindicações da nova campanha salarial. Lute para mudar o cenário de baixos salários. 

JORNAL0Nos últimos 12 anos, com o advento da política pública de distribuição de renda à população brasileira, através da valorização do salário do trabalhador, restabelecendo o justo aumento da remuneração acima da inflação do período, houve a elevação nos salários dos empregados dos jornais e das gráficas. Entretanto, o maior reajuste foi nas casas de obra em função da disposição de luta dos funcionários das gráficas, por meio da maior unidade, articulação e mobilização nas campanhas salariais.

O salário dos empregados dos jornais e das gráficas tiveram um ganho acima da inflação nos últimos 10 anos. Todos tiveram ganhos. Ninguém saiu perdendo. No entanto, os números mostram que entrou menos dinheiro no bolso dos gráficos dos jornais no decorrer do período. E isso aconteceu por conta da falta de participação dos próprios trabalhadores nos campanhas salariais.

“É preciso mudar isso. Venham participar da 1ª assembleia geral do setor nesta segunda-feira (27), às 17h, no Sindicato”, convoca o presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues.

BRAGANCA2“Em 2005, o piso salarial do funcionário dos jornais era de R$ 535. Era R$ 136 a menos do que o dos empregados das gráficas convencionais que recebiam R$ 671 à época. Já o salário funcional do jornal ficava R$ 57 abaixo do piso pago nas gráficas”, lembra o impressor Walter Correa, que integra a diretoria e a área de atuação do Sindigráficos.

Mas, Walter frisa que com a falta de participação dos funcionários dos jornais de Bragança, bem como dos jornais em outras cidades, a diferença só fez ampliar com o tempo.

JORNAL000A diferença do piso salarial e funcional do gráfico do jornal em relação ao valor do piso pago aos gráficos das casas de obra mais que dobrou ao longo dos últimos 10 anos. Hoje o gráfico que entra em um jornal recebe o piso de R$ 1.006, enquanto o piso na gráfica convencional é de R$ 1.280,40. É R$ 274 a menos.

“E o valor do piso só aumenta após ficar um ano no jornal, mas ainda é R$ 123 menor que o das gráficas”, pontua Leonildo da Silva “Veludo”, impressor do Jornal da Cidade, em Jundiaí, ressaltando que os trabalhadores precisam reagir e mudar este cenário, e, para isso, é preciso participar em peso das atividades das campanhas salariais, a começar pela assembleia geral desta segunda (27).

JJ1Outro problema criado pela falta de participação dos trabalhadores dos jornais nas campanhas salariais anuais já afetam benefícios trabalhistas, a exemplo do percentual pago na Hora Extra e no Adicional Noturno. Eles sãos menores em comparação às gráficas convencionais.O percentual da hora extra nas casas de obra é de 65% e nos jornais é de 60%. E é 10% menor o índice do adicional noturno (35% contra 25%).

Além disso, a diferença do piso salarial corrói até outros direitos que são superiores nos jornais em comparação as casas de obra, a exemplo da cesta básica e da Participação dos Lucros e Resultados.

JJ4O PLR do jornal paga R$ 840, enquanto as gráficas de grande porte pagam R$ 804,36; A cesta básica do jornal é definida no valor de R$ 140, já na da gráfica não há valor definido, apenas o produtos que devem constar no benefício, que, se for comprado no supermercado, custa R$ 89.

“Porém, se somar o prejuízo mensal dos funcionários dos jornais com o salário menor em comparação aos funcionários das gráficas, estes ganhos são engolidos”, diz Walter e Veludo, convocando a todos para a assembleia geral dos funcionários do jornal nesta segunda-feira (27), às 17h.