GRÁFICOS DA FAKKA CRUZAM BRAÇOS E PATRÃO PAGA EM DINHEIRO CESTA BÁSICA E VALE TRANSPORTE ATRASADOS

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‘Devo não nego, pago quando puder’. Este ditado popular não deu mais certo para o proprietário da Fakka, clicheria em Valinhos/SP, que estava acostumado a não pagar a cesta básica e o vale transporte aos gráficos. Na última quarta-feira (19), depois de ficar com as máquinas paradas por horas no período da manhã, devido a uma paralisação dos empregados, o empresário pagou, de uma única vez, o valor equivalente a diversas cestas básicas e vales transportes atrasados de meses anteriores. Mas, nem o pagamento foi suficiente para os operários voltarem ao trabalho. Foi necessário pagar um valor adicional para tudo voltar a funcionar. O patrão também teve que se comprometer em pagar, em uma semana, o restante de cestas básicas e vales transportes ainda pendentes. O prazo final acaba nesta sexta-feira (28). Os funcionários, que se cansaram do desrespeito e têm se organizado contra tais questões, tendo a maioria já se sindicalizado ao órgão de classe (Sindigráficos) nas últimas semana, prometem fazer uma nova paralisação se as dívidas não forem sanadas. 

fakka5O Sindigráficos vinha a meses acompanhando o problema e oferecendo ajuda aos trabalhadores para sanar as sonegações. O problema era que os gráficos aceitavam quase que passivamente as irregularidades e não queriam se juntar ao sindicato para lutar em prol dos seus respectivos direitos. Ainda assim, o sindicato não desistiu e continuou perto. Porém, enquanto não havia a reação dos gráficos, os problemas permaneciam mês após mês.  Foi então quando os trabalhadores perceberam que era precisa somar forças e se unirem ao sindicato, tendo a maioria se filiado.  ”Desde então, o cenário de sonegação dos direitos vem acabando, por meio da elevação do nível de consciência de classe dos funcionários e da forte intervenção sindical e dos trabalhadores em defesa do coletivo”, conta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

fakka6A irregularidade inicial, que são as cestas básicas e os vales transportes atrasados, está chegando ao fim através da união e da mobilização dos trabalhadores junto ao Sindigráficos. Na última quarta, o patrão pagou a cada funcionário o valor em dinheiro de duas cestas e de dois meses de vale transporte e mais R$ 214 adicional. O pagamento foi uma exigência dos empregados para encerrar a paralisação. Ficou acordado ainda que o proprietário pagará outras cestas básicas atrasadas e mais três meses de vales  transportes. A empresa deve ainda cinco cestas a maioria dos trabalhadores. Existem empregados que receberão o valor de 12 cestas. “Ou a empresa paga tudo na sexta (28), ou os gráficos param de novo”, alerta Jurandir Franco, sindicalistas que está no caso desde o começo.

Outro problema que está sendo sanada na empresa trata-se do atraso comum do pagamento salarial. O proprietário se comprometeu em não mais atrasar. “As discussões agora estão em torno da multa relativa aos dias dos atrasos nos últimos 2 anos”, conta Valdir Ramos, sindicalistas que também acompanha o caso a bastante tempo. O dirigente explica que a cada dia de atraso o patrão deve pagar ao trabalhador uma multa de R$ 42,67, como define a Convenção Coletiva de Trabalho da classe. O Sindigráficos já exigiu do empresário a apresentação dos depósitos bancários sobre o pagamento salário dos gráficos nos últimos 24 meses. A partir da análise da data dos depósitos, é possível favor o cálculo real do montante da dívida das multas que deverão ser pagas a cada gráfico. O prazo para entrega da documentação acaba também nesta sexta (28).

fakka7O resultado da consciência de classe dos gráficos da unidade Valinhos do Grupo Fakka, liderados pelo Sindigráficos, vai colaborar para resolver problemas de trabalhadores de outros estados brasileiros onde possuem unidades da mesma Clicheria, como na Bahia, Pernambuco  e em Santa Catarina. O Grupo deve R$ 300 mil em FGTS de todos os funcionários. Na paralisação da quarta (19), o sindicato exigiu que o Grupo faça junto à Caixa Econômica o contrato de parcelamento da dívida do FGTS de todos os seus empregados no Brasil. A empresa aceitou. “Viva a luta de classe. Viva os gráficos”, brada Rodrigues. O dirigente aproveita para convidar todos os gráficos para se sindicalizarem, assim como fez os da Fakka, a fim de todos unidos garantirem e avançarem em seus direitos.