GRÁFICOS DA FAKKA RECEBERÃO TRÊS CESTAS BÁSICAS POR MÊS APÓS SE MOBILIZAREM PARA PARAR A PRODUÇÃO

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Três cestas básicas por mês, sendo duas pagas em dinheiro e mais uma em itens alimentícios. Esta é a realidade dos gráficos da unidade da Clicheria Fakka, na cidade de Valinhos, em São Paulo. A empresa tem unidades em quatro estados do País. O que parece bondade patronal, nada mais é do que o resultado da consciência de classe dos gráficos, com a união e mobilização deles, por meio da articulação e negociação da entidade de classe (Sindigráficos), para buscar o cumprimento de direitos trabalhistas em aberto. Os funcionários não recebiam as cestas desde 2014, bem como uma série de outros direitos. A mudança radical da empresa só ocorreu agora porque os empregados se organizaram e mostraram predisposição de cruzarem os braços nesta segunda-feira (3), apoiando a notificação de greve feita pelo Sindigráficos na última semana. Não houve a greve em questão, já que, desde sexta-feira (31/7), a Fakka começou a resolver as irregularidades, a exemplo do pagamento da 1ª parcela do PLR dos funcionários, que venceu desde o mês de março.  Na ocasião, a empresa anunciou que pagará as multas de R$ 42,67 para cada gráfico por cada dia que atrasou o salário deles. A lista de falhas, reconhecida e assumida pela Fakka, é extensa: cesta básica, FGTS, Participação nos Lucros e Resultados, Vale Transporte e outras. O cronograma de pagamento das irregularidades está sendo negociado pela empresa com o sindicato e será avaliado pelos gráficos. 

FAKKA3“Trabalhador unido, jamais será vencido: o ditado é velho, mas continua  funcionando”, avaliou Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, o resultado das negociações com a Fakka. O dirigente fala que há muito tempo vinha tentando negociar com a empresa, mas nada avançava, até que os trabalhadores entenderam que era preciso entrar na briga. Foi só por isso que houve resultados positivos para os funcionários da unidade de Valinhos, com efeitos até para os empregados que estão licenciados.Estes gráficos também receberão as três cestas básicas por mês. Isto ocorrerá porque a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria garante a cesta para quem está licenciado.

Assim, todos os funcionários passam a ganhar três cestas básicas por mês. Mas, ao invés de ganhar todas elas em produtos alimentícios, o Sindigráficos defendeu que duas delas fossem pagas em dinheiro, visto que o trabalhador já havia gasto seu dinheiro para comprar o alimento no período em que o benefício não foi entregue adequadamente. A empresa acatou a proposta sindical.

comida2O entrave agora é definir até quando será entregue três cestas por mês. Isso porque a empresa alega que deve seis cestas atrasadas, enquanto os trabalhadores dizem que são 12. “Se a Fakka não provar o que diz, ela precisará pagar 12 cestas ao todo”, avisou Rodrigues à empresa na semana passada. Caso seja comprovado que seis cestas deixaram de ser distribuídas no período correto, como defende a empresa, a entrega atual de três cestas por mês (duas em dinheiro e uma em alimentos) vai continuar por três meses.

Caso não comprove, ela terá a obrigação de estender o pagamento de três cestas/mês por seis meses. Este tempo corresponde ao período para pagar as 12 cestas não distribuídas, como reivindicam os gráficos. A empresa também aceitou a proposta sindical.

dinheiroO mesmo método foi usado pelo Sindigráficos para que a Fakka pague as pendências com a entrega do Vale Transporte dos funcionários. “Há cinco meses, os empregados botavam o dinheiro do próprio bolso para ir trabalhar”, criticou Jurandir Franco, dirigente sindical que também está nas negociações com a empresa para sanar os problemas. A empresa terá de pagar tudo em dinheiro, nada de vale transporte, porque foi em dinheiro que o trabalhador tirou do próprio bolso para pagar a condução.

Sexta-feira da próxima semana, dia 14, é o prazo final para ser quitada a dívida com os funcionários. A empresa aceitou a exigência e já liberou na sexta passada o valor equivalente a dois meses de Vale Transporte. O Sindigráficos ainda exigiu a regularização da entrega do vale do mês. E, por conta disso, na última segunda (3), o vale de agosto foi entregue.

FAKKA1Uma dívida de mais de R$ 300 mil da empresa com seus funcionários, devido ao não recolhimento do FGTS dos gráficos, foi levantada durante as negociações entre o Sindigráficos e a Fakka. De acordo com dados da empresa enviados para o sindicato, os valores são: R$ 191.424,10 e R$ 138.609,01 corespondente ao passivo nos anos de 2014 e 2015 (até junho) respectivamente. A entidade de classe ficou em dúvida se este valor diz respeito também aos empregados das demais unidades da empresa pelo Brasil.

Em todo caso, diante da confissão de dívida da Fakka, o Sindigráficos exigiu que ela faça a programação de pagamento do débito junto à Caixa Econômica Federal, bem como apresente tais documentos que comprove a ação. A empresa aceitou a exigência.

fakkaO sindicato advertiu que é preciso ser feito logo a mostrar os documentos na sede da entidade em Jundiaí. A ação visa evitar que a empresa faça igual ao ano passado, quando prometeu fazer o mesmo e não cumpriu. “Este ano os empregados estão unidos e mobilizados”, lembrou Franco.

O dirigente aproveita para lembrar aos funcionários para não entrarem de férias sem que antes o dinheiro das férias esteja depositado na conta bancária. A lei obriga o patrão a depositar 48 horas antes do gozo do direito. E determina ainda que a comunicação das férias seja feita até 30 dias antes do período em questão.

Ao fazer isto, o trabalhador evita dor de cabeça, pois não adianta muito procurar o sindicato depois de ter saído de férias sem a comunicação e o pagamento nos prazos definidos na lei. E algumas queixas em relação a este tipo de problema também estão sendo discutidas entre o sindicato e a empresa.

Além disso, será levantada a necessidade da Fakka entregar sempre os contracheques dos funcionários dentro dos prazos, bem como atender as exigências postas pelo Programa de Prevenção de Riscos de Acidentes (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).