GRÁFICO DA LOG&PRINT, MESMO COM DEMISSÃO, REJEITA REDUÇÃO SALARIAL DOS QUE CONTINUARÃO EMPREGADOS

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Em tempo de crise econômica e política e da tentativa de flexibilizar direitos trabalhistas por parte de políticos conservadores e empresários, os gráficos da Log&Print, no interior paulista, deram clara demonstração de consciência de classe. Não aceitaram reduzir 14% dos seus salários com a respectiva redução de jornada, como queria a empresa, mesmo sob ameaça de demissões, conforme proposta apresentada ao sindicato da classe (Sindigráficos), que por sua vez a rechaçou e apresentou para avaliação dos funcionários. Os gráficos, após analisarem por uma semana junto com seus familiares, rejeitaram a proposta de aceitar a redução salarial, haja vista que haverá demissão de 80 gráficos de todo jeito, como já foi anunciado. O NÃO dos gráficos  se deu por entenderem que, apesar de não serem donos do emprego, tanto que haverá demissão de todo jeito como já foi dito, eles são donos do seu trabalho. Logo, devem defender os seus direitos. Por isso deram o NÃO. Por entenderam ser injusto reduzir salário de quem continuar na ativa; e se tiver de ser demitido mesmo, que dê oportunidade para quem quiser sair voluntariamente, e que haja o plano de demissão voluntária, valorizando os profissionais com três meses de cesta básica e plano de saúde depois do desligamento, bem como o pagamento integral e de imediato de todos direitos trabalhistas, até mesmo dos não voluntários.

log2Quem ficar no trabalho, garantirá os seus direitos e salários frutos da sua mão de obra (força de trabalho); e quem sair, já que não é dono do trabalho (emprego), deve receber os seus direitos pela mão de obra já realizada ao longo do tempo, e mais a cesta básica e o plano de saúde.

“Esta foi a posição dos gráficos dos três turnos da empresa em votação na última semana, sempre monitorada por funcionários e representantes da empresa, a qual foi acolhida pela Log&Print”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, parabenizando a consciência de classe dos trabalhadores diante de uma decisão tão difícil. Tal iniciativa garantirá a manutenção salarial dos gráficos que continuar trabalhando, bem como consolidou um plano de demissão voluntária e benefícios outros para quem for demitido a partir do próximo mês.

log4O Sindigráficos sempre defenderá a manutenção do emprego, como foi negociada a todo tempo com a Log&Print desde o início dos debates em fevereiro e até no ano passado durante a greve de setembro. Porém, sem aceitar a redução de direitos, haja vista que a crise não pode ser cobrada duas vezes no bolso dos empregados. Demitir já é uma dura pena, desempregando o trabalhador para reduzir o custo com a folha de pagamento. E reduzir salário, equivale a passar a conta também sobre quem trabalha. O funcionário da Log&Print sabe que a demissão é real e prejudicial, mas avalia que não deve ocorrer redução salarial de quem continuar na ativa, sobretudo por parte de quem recebe piso da classe, pois reduzir 14% do salário têm impacto maior na vida destes e família.

log5Durante a negociação, o sindicato lembrou a Log&Print que a proposta defendida pela empresa era pior até que o recente Programa federal de Proteção ao Emprego, onde apoia, na prática, a redução de até 15% do  salário com respectiva redução de jornada, mas garante os empregos. A empresa, no entanto, não aceitou garantir o emprego, queria apenas reduzir salário e jornada e mesmo assim demitir cerca de 80 gráficos.  Eis a razão do Sindigráficos e dos trabalhadores negarem tal proposta.

O debate entre o Sindigráficos e a Log&Print também pautou sobre os rumos da empresa e da garantia futura do emprego. Ela adiantou que as demissões previstas para iniciar em abril, que pode chegar a 100, deriva  da perda de relevantes clientes que migraram para outra empresa. Mas, começou a investir forte no Departamento Comercial, para atrair novos clientes, já tendo alguns êxitos, como o retorno da Jequeti, da Revista PlayBoy, além de passar a rodar alguns jornais. A intenção é ampliar a produção e restabelecer a antiga quantidade de postos de trabalho, até recontratar os demitidos, mas somente o futuro poderá dizer a situação.