GRÁFICOS DA SERVCAMP CRUZAM OS BRAÇOS CONTRA ASSÉDIO E SÓ RETORNAM APÓS DEMISSÃO DO ASSEDIADOR

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Na última sexta-feira (31/07), os gráficos da empresa Servcamp, na cidade de Valinhos em SP, deram uma lição de consciência de classe e de ação em defesa dos direitos trabalhistas e do respeito à pessoa humana. Os empregados decidiram fazer paralisação contra o assédio moral praticado contra eles após a chegada de um consultor há dois meses na empresa. Desde então, eles estavam sendo pressionados à ampliar a produção de forma abusiva e desrespeitosa, com tratamento similar ao manejo com animais, como queria o referido consultor – que entrou na gráfica se dizendo o ‘cara’ que iria melhorar tudo. No limite, os funcionários convocaram a entidade de classe (Sindigráficos) para uma reunião. Lá, decidiram paralisar os trabalhos até que o dono da empresa comparecesse no local para resolver o problema de forma definitiva. E a resposta chegou. Durou três horas, das 6h até às 9h – tempo em que os gráficos e os sindicalistas ficaram do lado de fora da empresa, enquanto as máquinas permaneceram sem funcionar. Neste tempo, o proprietário chegou na empresa e anunciou o desligamento do respectivo consultor. 

serv0“Este é o exemplo dos trabalhadores da Servicamp, deixados para todos os demais gráficos da Região de Jundiaí: de que o tamanho da unidade, articulação e mobilização será sempre o tamanho da vitória”, parabeniza os gráficos da Servcamp o presidente do Sindicato, Leandro Rodrigues, que acompanhou o movimento contra o assedio moral desde o início no local.

Além da demissão do consultor, que, conforme as denúncias dos funcionários, era o principal assediador, houve queixas sobre a forma desrespeitosa e a pressão desmedida também do gerente de produção da empresa. Os empregados só aceitaram que ele continuasse desde que tais práticas não continuem. A maioria dos gráficos flexibilizaram por avaliar que  a errada ação do gerente estava atreladas à pressão posta pelo consultor, que acabara de ser demitido pela pressão da categoria.

serv00Além disso, os trabalhadores se mostraram insatisfeitos noutras pautas, com destaque a obrigação de fazer horas extras não programadas e não negociadas antes. A reclamação era de que o consultor obrigava a fazer horas adicionais à jornada de trabalho, sem a prévia comunicação ao gráfico.

Ainda havia outro problema em relação a isto. Os gráficos que faziam tais horas inesperadas não recebiam pelo trabalho adicional na programação do pagamento. Só recebiam adequadamente aqueles que estavam na programação de tais trabalhados extras.

“Este tema não foi aprofundado na paralisação, mas será debatido com o representante da empresa nesta quinta (6), em reunião no Sindigráficos”, diz Rodrigues.

SERV3O encontro entre a empresa e o sindicato também será importante para tratar de outro sério problema levantado na paralisação de sexta: a diferença salarial entre trabalhadores que exercem a mesma função, a exemplo das auxiliares de ajudante de Acabamento.

“Vamos defender que a Servcamp elabore um plano de cargos e salários, pois vai sanar esta pendência”, antecipa Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos, que também participou da paralisação, juntamente com o sindicalista Valdir Ramos.

Ambos dirigentes aproveitarão a reunião para debater sobre o recolhimento do FGTS dos gráficos, a fim de saber se tudo está sendo depositado como determina a lei.

Por fim, diante da alta inflação do período, o Sindigráficos ainda abordará sobre o reajuste necessário do valor pago aos trabalhadores para aquisição da cesta básica mensal.