GRÁFICOS DE JUNDIAÍ SE SOMAM AO STIG/SP E AMPLIAM A PRESSÃO CONTRA OS ABUSOS DO DONO DA ULTRAPRINT

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O risco de perder direitos se amplia quando os trabalhadores não estão unidos. A unidade é o primeiro pilar da consciência de classe, que pode evitar o descumprimento de direitos e o não pagamento salarial. Porém, quando o patrão descumpre a lei, é preciso avançar na organização e na mobilização da classe. E isso vem ocorrendo a quase duas semanas entre os gráficos da empresa Ultraprint, na capital paulista. Eles estão em greve. Não receberam 13º salário em 2015 e nenhum salário este ano, nem outros direitos. Ao invés de pagar, o padrão sonega seu dever, cobra trabalho e contrata ilegalmente para manter o serviço e garantir o faturamento. Apesar de divergências políticas por pertencer a outra central sindical, os gráficos de Jundiaí e Região, através do Sindicato da classe (Sindigráficos), soma-se à luta desses gráficos e do sindicato deles (STIG/SP), pois avalia que é hora de mostrar toda unidade e força da categoria contra o patrão fora da lei. O Sindigráficos, que já contou com o STIG/SP em ações em gráficas de Jundiaí e Região, a exemplo da greve em 2007 na empresa Oceano, em Cajamar, agora solidariza-se com os sindicalistas da capital e participa desta greve na Ultraprint.

ultra2“A única coisa que a empresa pagou aos seus funcionários este ano foi a primeira parcela da Participação dos Lucros e Resultado, e nada mais. Ou seja, estão a quatro meses sem receber seus salários, cesta básica e o FGTS não está sendo recolhido, dentre outras questões”, questionou o presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues, durante a mobilização da greve na segunda-feira (16). Toda manhã, os gráficos se reúnem em assembleia na frente da Ultrapint e realizam manifestações públicas com carro de som. Os trabalhadores, que contam com todo o apoio do STIG/SP durante a greve, estão bem unidos, organizados e mobilizados.

O dirigente conta que a revolta dos trabalhadores é grande porque o proprietário não pagar e ainda tenta enganá-los. “O patrão caloteia os empregados e ainda contrata “biqueiros” (modalidade de contrato de trabalho ilegal, por não ter registro na carteira profissional) no lugar dos registrados”, repassa indignado Rodrigues.

ultra3Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos, que também está participando das manifestações dos gráficos da Ultrapint, descreve o cenário de luta no local, mas diz que é muito triste ver o sofrimento dos companheiros, sobretudo porque sempre trabalharam por todo este tempo mesmo sem o patrão pagar seus salários. “O voto de confiança dos funcionários foi retribuído com este desrespeito do patrão”, diz o dirigente. E para piorar, ele fala que no relato dos funcionários a empresa ainda os massacram. Um gestor se autointitula “o capeta”e este desdenha da situação quando os empregados os consultam quando será realizado os pagamentos. Ele manda perguntar no posto Ipiranga – fazendo alusão à publicidade deste posto, que tem este bordão para explicar que só lá as demandas têm respostas. A revolta contra o “capeta” ficou evidente nos atos de greve.  ”Laborar de graça e sem respeito é escravidão, não trabalho, diz Franco.

O presidente do Sindigráficos frisa que a entidade continuará presente nesta luta, acompanhando a greve dos gráficos da Ultraprint de perto,  junto com STIG de São Paulo. Ele frisa que são nestas horas que as entidades de classe devem passar por cima das divergências políticas e priorizar o que é mais relevante, ou seja, trabalhadores e trabalhadores.