GRÁFICOS DO DIÁRIO DE SÃO PAULO CRUZAM OS BRAÇOS EM DEFESA DOS SEUS SALÁRIOS E OUTROS BENEFÍCIOS

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Ao invés de começar o serviço às 19h, como de costume, os gráficos do Diário de SP, no município de Jarinú, no interior do Estado,  cruzaram os braços na terça-feira (10). A ação paredista, que contou com a presença e a interlocução do Sindicato da classe (Sindigráficos), teve uma justa razão. Até a dada em questão, o jornal não havia pago o salário do mês anterior de metade dos seus gráficos. Eles exigiram então o dinheiro e o respeito necessário. Uniram-se e mostraram a reação contra o tamanho absurdo. A revolta cresceu rapidamente e logo se transformou na greve. E a decisão foi apenas uma: nenhum gráfico trabalha e as máquinas vão ficar paradas sem nada rodar, enquanto não se pague salários e demais direitos atrasados. E assim logo o empresário decidiu resolver o caso. 

DIARIOO sentimento dos trabalhadores era de revolta e de indignação. “Temos trabalhado com dedicação, mas, mesmo assim, estamos sem o salário. Isso é um absurdo. Estamos com tudo atrasado, com contas para pagar e as crianças passando necessidades”, diziam os gráficos no movimento paredista. Os trabalhadores ressaltavam que o patrão não pode brincar de ser empresário, porque com isso não se deve brincar, já que é a vida dos trabalhadores e seus familiares que estão em jogo. Eles justificaram a adesão total na greve porque não estão pedindo um favor ao jornal, nem mendigando para ter o pão, mas que trabalham para ter o sustento, portanto, exigem o pagamento do salário, do convênio médico e do vale-alimentação. “A greve é a mostra de que o jornal chegou ao limite. E não vamos permitir que o patrão brinque de empresário com nossas vidas”.

DIARIO1“Uma hora e meia foi o tempo suficiente para a empresa perceber que os gráficos não estavam de brincadeira e o prejuízo do patrão seria bem maior se não resolvesse os salários, fala Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos, presente na greve. O sindicalista diz que a paralisação foi a última das opções. Mas, como a empresa não quis dar nem mesmo a sinalização de quando iria pagar o salário, já atrasado por cinco dias, o movimento paredista foi o mais justo. Depois da greve iniciava, o jornal logo iniciou a negociação e garantiu pagar a todos no outro dia. Garantiu ainda que pagaria ontem e hoje o convênio médico e o vale-alimentação respectivamente. Estes direitos também estavam atrasados. O convênio médico é garantido aos antigos gráficos do jornal. Já o vale-alimentação de R$ 140 é destinado a todos os 100 trabalhadores da empresa.

A empresa ainda ficou de resolver a pendência do FGTS dos gráficos. O jornal se comprometeu em resposta sobre o caso na segunda-feira (16). O recolhimento do FGTS dos funcionários está em aberto deste o mês de novembro do ano passado. A resposta será dada ao Sindigráficos na data anunciada. Esta pauta foi uma exigência dos sindicalistas durante as negociações durante a greve. “Outro ponto que será reivindicado ao jornal durante a reunião é o pagamento das multas pelos dias do atraso no salário dos trabalhadores”, adianta o sindicalistas Valdir Ramos. Pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, o empresário que atrasa o salário deve pagar uma multa no valor de R$ 42,67 por dia para cada um dos seus funcionários. E este direito o sindicato cobrará da empresa.