GRÁFICOS DO DIÁRIO DE SP CORREM RISCO DE PERDER O EMPREGO APÓS ENQUADRAMENTO NO SETOR DE JORNAIS

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Quase metade dos gráficos do Diário de São Paulo, na cidade Paulista de Jarinu, estão ameaçados de perder o emprego. E a razão para isto não está atrelada à atual crise econômica. O problema deriva do recente enquadramento sindical deles para o setor dos jornais. Todos eram da GMA Editora e realizavam atividades do setor de gráfica convencional, mas foram absorvidos pela nova empresa após a incorporação da GMA pelo grupo econômico que possui o Jornal Diário de São Paulo. Desde então, os profissionais passaram a ser funcionários do Diário. E, com o novo enquadramento, confirmado pela empresa ao órgão de classe (Sindigráficos) na quarta-feira (19) em reunião no Ministério do Trabalho em Atibaia, estes gráficos podem ser demitidos a qualquer momento pois recebem piso salarial do setor gráfico que é superior aos jornais. E para resolver este problema, o sindicato reivindicou ao Diário para desfazer o novo enquadramento, porque, apesar dos trabalhadores serem agora do jornal, continuam realizando iguais atividades da área gráfica. O fato prova que todos devem continuar representados pelo setor das gráficas. A representante da empresa acolheu o pleito e levou para análise da direção do Grupo empresarial. A resposta final será apresentada no dia 16 de setembro.

dsp5A ação sindical tem um efeito preventivo para evitar prejuízos futuros a todos esses trabalhadores. O sindicato teme que a empresa para cortar custos com folha salarial, demita estes funcionários e depois recontrate-os com o salário menor já dentro do piso salarial dos jornais. A ação tem grande possibilidade de ocorrer já que o Diário não pode simplesmente baixar os seus atuais salários sem demiti-los. O piso do jornal é de R$1.006 (menos de um ano na empresa) e R$ 1.157 (a partir de um ano). Já o menor salário nas gráficas convencionais é de R$ 1.280,40 (independente do tempo). “De imediato, o gráfico perderá R$ 274 no salário mensal por um ano e depois continuará abaixo (R$ 123 a menos com base nos valores postos pela Convenção Coletiva de Trabalho). Os prejuízos não acabam por aí. O percentual da Hora Extra e do Adicional Noturno são menores para o setor de jornal. Nas gráficas são de 65% e 35% respectivamente, enquanto no jornal são de 60% e 25%.

dsp4O problema também se estende para a outra metade dos gráficos do Diário de São Paulo não oriundos da GMA Editora. Estes trabalhadores recebem o piso salarial do setor de jornais, mas desenvolvem atividades do setor das gráficas convencionais. “Estes funcionários trabalham também na produção de revistas e livros e outros variados produtos que estão enquadrados sindicalmente dentro do setor das gráficas. Assim, o salário maior e demais direitos superiores ao do ramo de jornais devem ser garantidos a estes gráficos”, defende o sindicalista Jurandir Franco.

Além disso, o Sindigráficos questionou outros pontos. A entidade criticou o acréscimo feito no valor da refeição do funcionário quando ele falta ao trabalho. “O Diário aumenta de R$ 60 para R$ 120 mensal. Isso é um absurdo”, diz Franco. O dirigente defende que haja sim uma redução no valor diário da refeição. O atual valor é de R$ 3 após a intervenção sindical feita no passado quando ainda era GMA Editora. Antes era R$ 6. Ainda assim, o sindicalista entende que, diante do grande porte econômico do Diário, bem como a maioria dos trabalhadores recebem apenas piso salarial, a empresa deveria oferecer a alimentação de forma gratuita. Na reunião, a representante da empresa não aceitou a proposta de gratuidade, mas prometeu levar para a direção do Grupo Empresarial responsável a reivindicação de redução do atual valor da alimentação.

dsp6Outro questionamento foi sobre o transporte dos funcionários. O caso se estende desde o tempo da GMA Editora. A empresa fica em um local de difícil acesso e são poucos os ônibus para as imediações. Além disso, os horários do transporte coletivo diferem dos horários das escalas de trabalho dos funcionários do Diário. O fato tem gerando muito desgaste para os funcionários. Assim, o Sindigráficos reivindica que a empresa modifique os horários da escala para terem sincronia com o dos ônibus coletivos, ou então frete transporte particular e gratuito para todos os trabalhadores. A solicitação também será analisada pela direção do Grupo Empresarial e levará o retorno na reunião do dia 16 de setembro.

dsp0O Sindigráficos também reivindicou que o Diário aceite fazer um Acordo Coletivo de Trabalho referente à redefinição da jornada de trabalho nos finais de semana. Os sindicalistas defendem inicialmente o trabalho sem prejudicar a vida social do gráfico, ou seja, que não haja expediente em todos os sábados. Em muitas empresas de grande porte, já há acordos onde o trabalho nos sábados é realizado de forma alternada. A empresa ficou de estudar a questão, mas não prometeu responder rapidamente.

O não recolhimento do FGTS dos trabalhadores foi outro ponto tratado com a empresa. Não é depositado desde novembro do ano passado, de acordo com informação da representante do Diário presente na reunião no posto do Ministério do Trabalho em Atibaia. O Sindigráficos exige que a empresa efetue o pagamento ou o parcelamento imediato do passivo junto à Caixa Econômica Federal. A empresa ficou de analisar o caso. A fiscal do Trabalho, por sua vez, disse que enviará fiscais do Ministério do Trabalho para comprovar tal irregularidade, e, em caso de existente, autuará a empresa pela grave sonegação do direito dos trabalhadores.