GRÁFICOS DO JORNAL DE JUNDIAÍ PODEM PARAR A PRODUÇÃO COM GREVE. JORNALISTAS PODEM ADERIR

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O Jornal de Jundiaí (JJ), no interior de São Paulo, corre o risco de parar de circular nos próximos dias. A situação pode acontecer se a empresa não corrigir muitas irregularidades contra os trabalhadores. O salário do mês de janeiro dos gráficos ainda não foi pago, nem o vale quinzenal de tal mês. O FGTS também está atrasado, além do 13º salário do ano passado. Os trabalhadores estão revoltados e, em assembleia na última sexta-feira (12), decidiram que poderão cruzar os braços. O Sindicato da categoria (Sindigráficos) notificou o jornal de greve, que pode deflagrar a qualquer momento. Os jornalistas também estão com salários e outros direitos atrasados. Os trabalhadores do setor administrativo passam por situação similar. Ações sindicais unificadas devem ser adotadas entre as categorias profissionais contra tamanha irregularidade e desrespeito.

JJ4“Já é para sair o vale de fevereiro esta semana, mas o jornal não pagou nem o vale e o salário de janeiro”, critica Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Há 10 dias, o órgão vinha cobrando da empresa uma posição sobre os atrasos. Mas, ao invés de resolver, optou em ampliá-lo, já que continua sem pagar nada, mesmo os gráficos indo trabalhar. A paciência dos gráficos se esgotou frente à tanto desrespeito. Decidiram na última sexta-feira, que, se o absurdo continuar do jeito que estar, vão cruzar os braços. A notificação de greve já foi protocolada na empresa.

Além da iminência da greve, o Sindigráficos está atuando noutra frente. O sindicato já começou a coletar a documentação dos empregados para entrar com uma ação judicial coletiva, visando garantir o FGTS de todos. A ação também requererá o adicional de insalubridade dos funcionários. Muitos gráficos já entregaram a documentação nesta segunda-feira (15).
JJ5A ação judicial pró FGTS pode ser feita entre os gráficos e os jornalistas. Os sindicatos já estudam a possibilidade. Os jornalistas já se reuniram nesta terça-feira (16). Vale lembra que em 2012, a pedido do sindicato, o Ministério do Trabalho constatou atrasos no FGTS dos gráficos. À época, foi feito então um acordo para pagar a dívida parceladamente. O passivo não foi todo quitado. E já há suspeitas de novos atrasos. A ação coletiva visa justamente garantir que o passivo com o FGTS seja pago.

O Sindigráficos também tem falado com o sindicato que representa os trabalhadores do setor administrativo do jornal. A intenção é de que as três categoria pressionem juntas o Jornal de Jundiaí. “O trabalhador não recebe R$ 1 sequer já há mais de um mês”, reclama Rodrigues. O sindicalista informa que tudo será repassado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).  A entidade garante que buscará todos os meios legais para fazer com que o jornal cumpra e continue cumprido sua obrigação.

JJ1Todavia, ele lembra que, chega uma hora que, somente a luta da classe, através do movimento grevista, pode resolver mais rápido e melhor os problemas criados por maus empresários. Um exemplo disso ocorreu no próprio Jornal de Jundiaí. Há alguns anos, os gráficos cruzaram os seus  braços contra o não pagamento das horas-extras e da jornada excessiva de trabalho. Rapidamente, a empresa corrigiu tais problemas existentes.