IMPACTO ECONÔMICO DA COVID NAS GRÁFICAS E DESGOVERNO PROVOCAM DEMISSÕES E QUEDA NA RENDA DOS TRABALHADORES

Em três meses da Covid-19 no Brasil, doença mortal que foi chamada no início de gripezinha por Bolsonaro, já matando 38.497 brasileiros, como um gráfico da empresa Gonçalves em Cajamar, o presidente mostra seu desgoverno também quanto à economia, esta que seu ministro Guedes disse que não se deve socorrer as pequenas empresas, locais onde estão mais de 80% dos gráficos do país. O governo ainda não liberou crédito na prática para que elas evitem a quebradeira e demissão. A Cunha Facchini em Itupeva, por exemplo, não resistiu. Fechou e demitiu todo mundo. A Jandaia em Caieiras e a Emepê em Vinhedo também demitiram para se equilibrarem.  Por enquanto, 3% dos postos de trabalho foram reduzidos em toda base de ação do Sindigráficos em Cajamar, Jundiaí, vinhedo e mais 26 cidades. O balanço acaba de ser sistematizado. O número pode ser ainda maior porque nem todas as empresas informam as demissões para o sindicato.

A competência desse governo, no entanto, tem sido aplicada para baixar a renda dos trabalhadores durante a crise da covid-19. Enquanto diversos países garantiram o salário dos empregados mesmo sem irem trabalhar, aqui no Brasil de Bolsonaro foi criada regras para protegerem as gráficas enquanto reduzem os salários dos empregados. A Medida Provisória (MP 936) permitiu o patrão fazer acordo direto com o empregado para reduzir a sua jornada e salário em qualquer percentual. Também liberou acordo para suspensão contratual. A máxima é o desemprego e perda de renda.

O Sindigráficos também fez um balanço do quantitativo de trabalhadores que foram afetados pela queda da renda através desses tipos de acordos. O levantamento mostra que mais de 8% da categoria na região teve uma redução salarial de 25%, outros 4,6% tiveram perda de metade da renda e 2% perderam 70% da sua remuneração mensal. Aproximadamente 8% dos trabalhadores tiverem os seus contratos de trabalho suspensos.

Apesar do prejuízo na remuneração, a MP 936 não garantirá o emprego e a renda como prometido, uma vez que a crise do coronavírus não está no fim, pelo contrário, os números de contágios e mortes só aumentam, enquanto os efeitos da medida duram até três meses. “Muitas empresas já estão terminando o período de validade dessa MP e o governo ainda não liberou os créditos financeiros (MPs 944 e 975) na prática para que paguem suas folhas salariais dos empregados e mantenham o emprego, o que é um risco”, critica Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Ademais, sem a liberação do crédito para as micro, pequenas e médias gráficas, como demonstrado pela fala do próprio ministro de Bolsonaro, a MP 936 não terá protegido o emprego, como anunciado, mas só reduziu a renda dos trabalhadores. Outro lado negativo desse desgoverno é que a MP 975 voltada à concessão de crédito não associa tal recurso para as empresas com sua garantia do emprego e nem ao pagamento de direitos trabalhistas, FGTS e INSS, pois quem deve isso poderá pegar o dinheiro. Logo, infelizmente, a covid não é o único mal que o gráfico tem pela frente.