JJ TEM ATÉ HOJE PARA MOSTRAR COMO PAGARÁ R$ 819 MIL EM DIREITOS E SALÁRIOS DE GRÁFICOS E OUTRAS CLASSES

Nesta quarta-feira (20), conforme a definição do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Marcos Aurélio Estraiotto, chega ao final o prazo do Jornal de Jundiaí (JJ) para mostrar aos sindicatos envolvidos o seu plano de pagamento de R$ 819 mil relativos aos direitos e salários pendentes dos gráficos, jornalistas e do pessoal do setor administrativo. O elevado montante desta dívida está ligado a várias irregularidades. A empresa deixou de pagar até 13º salário. Sem falar na Participação dos Lucros e Resultados (PLR) dos gráficos e até mesmo parte de salários. Na decisão do procurador, ficou ainda definido que os sindicatos devem acioná-lo se o calendário de pagamento não for apresentado, a fim de o MPT representar contra empresa e pleitear todas penalidades cabíveis. Portanto, o Sindigráficos espera o JJ só até o horário comercial de hoje.

A resolução desta dívida não corresponde ao débito total do jornal com os seus gráficos. A dívida é ainda maior. O FGTS e INSS também estão com pendências. Neste sentido, o Sindigráficos já acionou a Justiça do Trabalho. Uma ação coletiva tramita na instância judiciária para evitar o prejuízo no pagamento do direito fundiário dos trabalhadores.

Embora o Sindigráficos reconheça que exista nacionalmente uma crise estrutural no setor de jornais, agravada pela redução drástica dos anunciantes e a concorrência das plataformas digitais de notícias, o cenário não implica na permissão da sonegação de salário e direito de quem trabalha. “Se o jornal continua  sendo redigido e impresso por empregados, é porque tem quem o compre, sendo preciso pagar os funcionários que o produz, com ou sem crise”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Além disso, o setor de jornal do país voltou a configurar um crescimento nos recentes indicadores econômicos do último trimestre monitorado, em comparação ao Produto Interno Bruto do Brasil que ficou positivo.  Um levantamento prévio do Bradesco, que o Sindigráficos teve acesso, já sinalizava para este crescimento dos jornais e outros cinco setores. O PIB cresceu no 2º trimestre 0,3. A última vez que este período ficou no positivo foi em 2014. A instituição bancária demonstrou, por sua vez, que a expansão na margem dos jornais só no mês de junho foi de 4,5%.

Outro excelente indicador, que eleva ainda mais a pressão no JJ para vir a pagar o que deve aos trabalhadores, são os negócios dos jornais pela internet. Tem crescido uma nova tendência de cobrança por este tipo de conteúdo. Os jornais digitais passaram a liberar apenas poucas notícias gratuitas, liberando o restante só para assinantes.

Com isso, Rodrigues avalia que as assinaturas de jornais impressos podem voltar a crescer, já que o usuário terá de pagar pelas notícias de toda forma. O Jornal de Jundiaí inclusive adota esta tendência de cobrança do conteúdo digital.

“É bom ver o tradicional JJ se atualizar e criar meios sustentáveis para continuar informando a população da região, devendo assim, respeitar outra vez os gráficos, jornalistas e demais profissionais da empresa”, diz Jurandir Franco, experiente dirigente sindical que acompanha o cenário. Ele aproveita para convocar aqueles gráficos de todos jornais da região  que ainda não são sindicalizados para se protegerem junto do sindicato através da filiação à entidade. Não fique sozinho. Sindicalize-se AQUI!