JUNDIAÍ RECEBE OS MAIORES SINDICATOS DOS GRÁFICOS DO ESTADO E TRAÇAM AÇÕES CONJUNTAS EM DEFESA DA CLASSE

Na última sexta-feira (7), dia em que se celebra no Brasil o Dia do Gráfico há 97 anos devido à greve de 42 dias nas gráficas paulistas que garantiu os direitos coletivos e a representação da classe pela 1ª vez no país, oito dos maiores sindicatos da categoria (STIGs) no estado se reuniram no STIG Jundiaí. A convite do presidente do órgão, Leandro Rodrigues, os líderes dos STIGs São Paulo, Guarulhos, Barueri/Osasco, Sorocaba, Campinas, Bauru e Piracicaba analisaram a conjuntura político-econômica adversa e traçaram estratégias conjuntas para buscarem proteger a convenção de direitos da classe, que é superior à CLT, mas deixa de valer em setembro.

É para evitar a interrupção dessas condições positivas para os gráficos que os STIGs organizam antecipadamente essa movimentação conjunta. A reunião foi positiva e traz resultados objetivos. Os STIGs montaram uma agenda mensal permanente, mesmo a sete meses da data-base da categoria – período em que os STIGs negociam com o sindicato patronal o aumento salarial dos gráficos e quais os direitos superiores à CLT serão definidos.

O próximo encontro será no dia 17 de março no STIG-SP, presidido por Elisângela Oliveira, presente na reunião em Jundiaí. Também foi definido que realização o grande encontro estadual para reunir todos os 18 STIGs do estado. O objetivo das reuniões mensais é encontrar soluções comuns diante dos desafios colocados por novas leis sobre o movimento sindical, dificultando a proteção de direitos dos gráficos e a organização da classe. A campanha salarial 2020 frente à conjuntura bastante adversa também é o objeto das reuniões mensais e do encontrão com os STIGs em maio. O fato é que a garantia dos direitos coletivos da categoria após agosto vai depender da unidade e organização dos gráficos em torno de seus STIGs.

A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) reúne dezenas de direitos e o piso salarial superiores ao definido nacionalmente. Consta, por exemplo, a cesta básica e a PLR, direitos econômicos não obrigatórios pela CLT (lei trabalhista do Brasil). Os valores da hora-extra e do adicional noturno também são superiores aos definidos pela CLT, assim como é o salário da categoria. O piso salarial é bem maior que o mínimo nacional por conta justamente da CCT. Sem convenção, que tem prazo de validade e precisa ser renovada depois da negociação entre os STIGs e o sindicato patronal, nenhuma dessas condições superiores existiram nas indústrias gráficas.

O problema é que houve mudanças significativas na lei trabalhista onde prejudica o direito dos trabalhadores e a atuação dos STIGs. Há poucos dias, por exemplo, a mídia noticiou uma empresa que fraudou a rescisão contratual de seus trabalhadores, fazendo assinarem como se já tivessem recebido as verbas rescisórias, quando não era verdade. Isso só ocorreu porque a reforma trabalhista tirou a obrigatoriedade do acompanhamento do sindicato na hora da rescisão. E a fim de evitarem maiores problemas sobre os direitos coletivos dos gráficos, os STIGs decidiram reagir juntos.

“Diante das mudanças na lei trabalhista e previdenciária, o único caminho para garantir a manutenção dos direitos convencionados dependerá da unidade da classe trabalhadora. E nós começamos isso a partir da união dos principais STIGs de SP, que representam 80% dos gráficos paulistas. Avaliamos que os sindicatos precisam estar mais próximos da base e que os trabalhadores precisam fortalecer os sindicatos, os quais precisam agir juntos em defesa da garantia da CCT para depois de agosto”, diz Leandro.

Este encaminhamento já conta com a adesão do comando dos principais STIGs paulistas. Além de Leandro (Jundiaí) e Elisângela (São Paulo), os presidentes e direções executivas dos STIGs de Guarulhos (Francisco), Barueri/Osasco (Joaquim), Sorocaba (João), Piracicaba (Eugênio), Bauru (Amilton) e de Campinas (Mococa) também defendem estas medidas. Os STIGs Jundiaí, Barueri/Osasco e Sorocaba decidiram se filiaram também ao Dieese, assim como o STIG Guarulhos já está. O Dieese é responsável por elaborar dados socioeconômicos para auxiliar os STIGs nas tratativas junto com as empresas e sobretudo com o patronal na campanha salarial. A primeira reunião conjunta entre estes quatro sindicatos com o Dieese já está agendada para o próximo dia 27.