LOG&PRINT PEDE FLEXIBILIZAÇÃO DE LEIS AO SINDICATO PARA COMPETIR NO MERCADO CONTRA ABUSO DA PLURAL

log&print5 plural

Embora nenhuma entidade de classe de qualquer categoria profissional tenha poder para flexibilizar leis trabalhistas, a gigante do setor gráfico brasileiro, a empresa paulista Log&Print – responsável por rodar revistas como a Época e IstoÉ -, pediu ao Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Jundiaí (Sindigráficos) para a entidade aceitar a terceirização de mão de obra de parte dos seus funcionários, bem como o pagamento abaixo do piso salarial do setor para outra parcela de operários. A terceirização da atividade gráfica e o pagamento abaixo do piso do segmento gráfico são ilegais. E o sindicato rechaçou as solicitações da empresa, que, por sua vez, alegou serem elas necessárias para evitar uma crise maior nos empregos em função da concorrência desleal criada pela multinacional do setor, a Plural. Segundo relatos de um forte representante da própria Log&Print durante reunião com sindicalistas na sexta-feira (21), a Plural tem utilizado práticas às margens da regras estaduais do ramo gráfico, possibilitando baixar os seus custos de produção com a mão de obra e assim oferecer preço mais competitivo no mercado. Nas últimas semanas, a Log&Print já perdeu importantes clientes, a exemplo das revistas Jequeti (280 mil exemplas por mês), Quatro Estações (200 mil/mês) e Seleções (300 mil/mês). Cinquenta gráficos foram demitidos.

censura1A Log&Print quer terceirizar o setor de logística da empresa e pagar um piso salarial menor aos trabalhadores do acabamento manual. A razão alegada pela empresa para pedir tal apoio ao sindicato é porque a Plural no Estado tem feito isso e assim ofertado preços mais competitivos no mercado. Segundo informação da empresa a sindicalistas na última reunião, a Plural passou um bom tempo com funcionários terceirizados e agora estes estão recebendo o piso salarial de gráficos das empresas de Xerox. O piso é de R$ 1.053,80. Já o das gráficas tradicionais é de R$ 1.280,40. E é este piso menor que a Log&Print quer pagar aos cerca de 80 gráficos do setor de trabalhos manuais da empresa. O Sindicato adiantou a empresa que este piso é direcionado somente para empresa do setor de xerox e reprografia com menos de 30 funcionários, conforme determina a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. A Log&Print não é desse segmento e possui quase 700 funcionários. Em relação à terceirização de 70 funcionários da Logística, como quer a empresa, o Sindigráficos alerta que a prática de terceirização de mão de obra é ilegal de acordo com a posição do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

log&print3O Sindigráficos entende os desafios postos pela empresa e orienta que ela procure o sindicato patronal para buscar sanar qualquer tentativa de desregulamentação do setor gráfico por parte de suas empresas filiadas. “A Plural é filiada ao patronal assim como é a Log&Print e é tarefa deste órgão lutar para evitar qualquer tentativa de concorrência desleal entre seus afiliados”, frisou Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O dirigente lembrou a empresa que já luta diuturnamente para controlar os abusos do setor patronal dentro da região de Jundiaí, através da luta permanente em defesa de todos os direitos dos trabalhadores gráficos. Portanto, não é retirando direitos e salários que melhorará o mercado, a empresa ou a vida do trabalhador, mas justamente o contrário, pois é isso que garante o segmento regularizado e sem surpresas. O sindicato apoia ainda a luta dos trabalhadores da Plural em busca de seus direitos e orienta a Log&Print a investir mais no setor comercial e melhorar seus procedimentos de gestão interna para buscar clientes. Os sindicalistas lembram ainda que não aceitarão passivamente demissões em massa.

Calor excessivo  

log&print5As altas temperaturas dentro da produção foi outro assunto tratado pelo sindicato e a Log&Print. O problema é antigo. A empresa informou que acabou de implantar um novo sistema de arrefecimento do ambiente. A técnica usada foi por meio de pulverização de água de reuso no telhado para qualificar a oscilação térmica. O sindicalista Jurandir Franco, que estava presente na reunião, antecipou ao representante da empresa que, só porá fim ao tema, após ouvir a posição dos trabalhadores sobre a efetiva melhoria do sistema de arrefecimento no ambiente profissional.

Jornada de trabalho

censura2A Log&Print assumiu a falha na marcação de reuniões periódicas com os sindicalistas para tratar sobre a jornada de trabalho dos funcionários. Uma nova data foi definida. O encontro será realizado nesta terça-feira (1). A comissão de sindicalistas é formada por Jurandir Franco, Valdir Ramos e Valéria Simionatto. O Sindigráficos defende um acordo onde o trabalho seja realizado em sábados alternados e a empresa dê folga no Dia do Gráfico (7 de fevereiro), como muitas gráficas já fazem na região. No acordo anterior, que vence em setembro, o Sindicato conseguiu garantir um sábado de descanso por mês para os gráficos do 2º turno. A empresa já sinalizou que até pode estender o mesmo benefício para os funcionários do 3º turno no novo acordo, dando folga remunerada em um domingo por mês. “Os empregados do 2º turno reivindicam que haja um rodízio de turno, já que eles costumam largar muito tarde nos três sábados em que estão escalados. O reversamento evitaria isso”, conta Valdir. O sindicalista pede à empresa que esteja aberta para a questão.