LOTADA DE SERVIÇOS, BERCRON MANTÊM DESEMPREGO COM JORNADA DE 12H DIÁRIA NOS SETE DIAS DA SEMANA

Ao invés de contratar mais funcionários frente a carga diária de trabalho superior à quantia dos 60 profissionais, a gráfica Bercron, em Valinhos, tem aplicado uma jornada laboral excessiva e irregular desde o início do ano. Denúncias revelam que os empregados têm sido obrigados a ficar 12 horas diárias no batente em todos os dias da semana desde janeiro. Além da caracterização do descumprimento da lei trabalhista que define a jornada diária de 8 horas e o descanso semanal, a empresa aposta na manutenção do desemprego na área, mesmo lotada de serviço editorial oriundo da Editora Abril. A fim de restabelecer uma jornada dentro da lei em favor dos já empregados e oportunizar novos postos de trabalho, o Sindicato da categoria (Sindigráficos) acionou a empresa para tratar da regularização do caso através de Acordo de Jornada de Trabalho (ACT).

“Há cinco anos, buscamos fazer este ACT. Em 2014, a empresa chegou a aceitar implementá-lo, mas não o fez. Mas, agora, a situação chegou a todos limites. É insustentável manter esta situação. Sobretudo diante da queixa atual dos gráficos, que, cansados de trabalhar tantas horas todos os dias da semana desde janeiro, decidiram informar agora ao sindicato.

A entidade não aceitará a manutenção disto, igualmente como já atuou para a correção dos atrasos do FGTS dos funcionários da Bercron nos últimos anos”, adianta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Em defesa desses trabalhadores, o sindicato já acionou a empresa para tratar da formulação do ACT. Se a empresa não se reunir para cumprir o que já prometeu desde 2014, a entidade de classe não descarta acionar o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho (MPT) diante desta ilegal jornada praticada.

Denunciará ainda ao Centro Municipal de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) frente a fadiga ampla que  impõe aos seus gráficos e assim ampliando o risco de acidentes laboral.

“Há denúncias inclusive que a jornada excessiva só acontece através de assédios das chefias aos trabalhadores. Assédio é crime”, adverte Valdir Ramos, secretário-geral do Sindigráficos, dirigente que atua neste caso.

O sindicato espera agora o mesmo bom sendo da Bercron adotado para corrigir o FGTS dos gráficos, corrigido depois da então cobrança sindical iniciada em 2012, seguida em 2014 e 2016. Nos referidos períodos, a empresa apresentou o parcelamento do débito na Caixa e o pagamento.

É esta racionalidade de regularização que deve ser aplicada também na jornada de trabalho, que passa pela efetivação do ACT – bom senso que tem sido cobrado há cinco anos. A medida é urgente para acabar com tal ilegalidade que ameaça a saúde, segurança e a vida familiar e social dos trabalhadores. Além disso, auxiliará para reduzir o desempregado.