MAIS GRÁFICOS PAGARÃO IMPOSTO DE RENDA E TODOS TERÃO REDUÇÃO SALARIAL TAMBÉM COM DESCONTO MAIOR COM INSS

Por decisão também do governo Bolsonaro, o gráfico não será penalizado este ano somente com a redução salarial de 1% a 3% a partir deste mês de março diante do aumento do desconto mensal do INSS, o trabalhador ainda perderá grande fatia da sua remuneração com o Imposto de Renda em 2020. Ao invés de isentar desse imposto os empregados com salário de até cinco salários mínimos, como prometido na campanha eleitoral em 2018, o governo sequer levou em conta a inflação de 2019. Ele congelou a tabela das faixas salariais obrigadas a declararem o imposto, como fez Michel Temer desde 2016. Bolsonaro engorda os cofres públicos em mais de R$ 40 bilhões às custas da perda do poder de compra do trabalhador.

Desde a segunda-feira da última semana, primeiro dia útil de março, que a Receita Federal passou a receber as declarações do Imposto de Renda. O prazo segue até 30 de abril. E quem não fizer, pode ter de pagar multa de até 20% do valor de todo imposto. “Com o congelamento da tabela do IR, o gráfico e demais trabalhadores vão pagar mais. É um confisco sobre 32 milhões de brasileiros. Não bastou aumentar de 1% a 3% o desconto salarial com INSS em nossos salários a partir deste mês, definido na sua reforma previdenciária”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região (Sindigráficos).

O congelamento da tabela do IR é uma manobra para arrecadar mais às custas do trabalhador porque como o salário aumento anualmente, graças a luta do movimento sindical, mais pessoas serão obrigadas a pagar esse imposto. Com o reajuste salarial de 2019, elevando a menor remuneração dos gráficos paulistas para R$ 1.674,20, se este trabalhador recebeu muitas horas-extras durante o ano pode ter inclusive de pagar o Imposto de Renda, conforme a decisão de Bolsonaro de não corrigir a tabela do IR. É preciso fazer os cálculos e verificar se não chegou na alíquota posta.

Desde 2015, último ano do governo Dilma e da correção da tabela do IR, o trabalhador que ganha rendimentos anuais a partir de R$ 22.847,77 tem de pagar 7,5% de IR. Se desde janeiro de 2019, por exemplo, o gráfico já ganhasse o atual piso salarial de R$ 1.674,20, ele terminaria 2019 com uma renda de R$ 22.323, levando em conta os salários, 13º salário, férias e mais um terço das férias. Assim, se ele recebesse mais de R$ 500 com horas-extras, já teria de pagar 7,5% sobre todo o valor do seu rendimento em 2019. Por isso congelar a tabela do IR é uma manobra do governo Bolsonaro, como foi de Temer, para confiscar uma parte da remuneração dos gráficos. O sindicato avisou que Bolsonaro seria ruim ao trabalhador.

Com o congelamento, a Receita Federal estima que 32 milhões terão de fazer a declaração do IR até 30 de abril. Serão R$ 40 bilhões adicionais retirados do bolso do trabalhador, que utilizaria para a sua sobrevivência. Terá de pagar 7,5% quem teve rendimentos em 2019 de R$ 22.847,77 a R$ 33.919,80. Paga 15% quem ganhou de R$ 33.919,81 a R$ 45.012,60. Os rendimentos de R$ 45.012,61 a R$ 55.956,16 devem pagar 22,5%. E terá de pagar 27% o trabalhador que teve a renda acima de R$ 55,956,16.