MESMO COM COVID EM ALTA, GRÁFICOS CONTINUAM TRABALHANDO E MERECEM UM REAJUSTE SALARIAL PROPORCIONAL AO TAMANHO DO RISCO E DA DEDICAÇÃO

A importância do setor gráfico nunca ficou tão demonstrada no Brasil como agora durante a pandemia do coronavírus. Não à toa as indústrias gráficas foram consideradas atividades essenciais pelo poder público por produzem para setores de alimentos, remédios, supermercados, Petshop, delivery, agronegócio, educação e em vários outros segmentos. Por isso não pararam de produzir, nem mesmo diante da quarentena e isolamento social colocado pelos prefeitos e governador. Os trabalhadores gráficos assumiram este papel com coragem. Arriscaram a sua saúde e a própria vida, e de seus familiares, indo produzir diariamente, mesmo com o vírus cada vez mais contagioso e mortal. Na última semana, o Brasil registrou o maior número de mortes e contaminações em uma única semana em comparação aos demais países. Superou até os EUA e o Reino Unido, que ainda lideram, no total, a quantidade de óbitos e contágios pela covid.

Portanto, faltando menos de dois meses para o reajuste salarial anual dos gráficos, o Sindicato entende que está chegando a hora dos empresários retribuírem todo empenho dos trabalhadores. A crise da pandemia só fez acentuar a importância desses trabalhadores, mas também aumentou a pressão sobre o empresariado para demonstrar qual a valorização que dará à classe. Desse modo, o Sindigráficos retornou, na última semana, a articulação conjunta com outros sindicatos da categoria no estado para cobrarem do patronal um reajuste salarial condizente aos esforços dos trabalhadores o ano inteiro, em especial neste momento de riscos à vida.

Em fevereiro, antes de estourar o coronavírus no estado de São Paulo, o Sindigráficos reuniu as lideranças dos maiores Sindicatos paulistas dos Gráficos em sua sede regional de Jundiaí. À época, a entidade destacou que será preciso ter coragem para enfrentar os desafios impostos pela política econômica desastrosa de Bolsonaro e Paulo Guedes. Agora, na última terça-feira (2), sob a liderança da Federação Paulista da categoria, a entidade voltou a se reunir líderes sindicais de várias regiões paulistas atentos também para a questão da crise sanitária e de saúde pública.

Dentre os participantes, havia representantes sindicais dos gráficos de Guarulhos, Barueri/Osasco, Sorocaba e Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região. A preocupação demonstrada por todos foi a de como os patrões utilizarão a crise sanitária com efeitos na economia para não reconhecer o esforço dos trabalhadores que continuam colocando a sua saúde e vida em risco para manterem a produção e o lucro das empresas constantes, em atendimento inclusive para a necessidade da sociedade em geral.

“Foi um bom reinício de articulação, pois redesenhamos um começo para campanha salarial conjunta 2020. Afinal, desde 2019, a novo data-base da classe é 1° de setembro. Por sinal, todas regiões paulistas passaram a ter está mesma dada de referência para o reajuste salarial anual e para a redefinição dos direitos coletivos superiores à CLT, a exemplo da cesta básica mensal e PLR anual. Sabemos das dificuldades existentes neste ano, sobretudo diante da crise da pandemia e impactos diversos. Todavia, todas as gráficas sabem dos esforços significativos dos trabalhadores para manterem a linha de produção operacional”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Durante a reunião entre os sindicatos, que ocorreu on-line através da plataforma Zoom, foi feito inclusive um balanço das demissões pelas gráficas dessas regiões, readequando-se financeiramente às custas da redução do posto de trabalho e do desemprego. Em Jundiaí e região, por exemplo, já houve uma redução de 8% de empregos. Também fizeram o balanço sobre as contaminações e mortes de gráficos pelo coronavírus, como a morte de Edilson Ribeiro da empresa Gonçalves, em Cajamar, além de oito gráficos doentes em gráficas de Guarulhos. Foi constatado ainda a queda da renda dos empregados com os efeitos da Medida Provisória (MP 936) do governo Bolsonaro, dando fôlego de caixa financeiro para as empresas durante a pandemia com a aplicação dos acordos individuais para a suspensão contratual e/ou redução de jornada/salário do gráfico.

Os desafios impostos pelo vírus sobre a estruturação e o desenvolvimento da campanha salarial 2020 também foram analisados pelos sindicalistas, pois o isolamento social imposto pela pandemia impedirá a aglutinação dos gráficos nas assembleias para definição das pautas de reivindicação salarial e dos direitos coletivos. Estas e outras questões, a exemplo da manutenção automática dos direitos convencionados atuais até o final do ano, mesmo sem negociado com o patronal até 1° de setembro, conforme aprovada pela Câmara Federal na MP 936, já em análise pelo Senado, serão rediscutidas na próxima semana pelos sindicalistas do estado.

Haverá uma nova reunião on-line já no dia 16 com um número ainda maior de sindicatos. Contudo, a depender o nível de unidade dos trabalhadores em torno de seus sindicatos, face a maior crise de saúde e econômica da história do Brasil, o risco de perda salarial e de direitos históricos pode ser a máxima adotada pelo patronal. “Portanto, apesar da coragem da classe trabalhadora colocar a vida em risco no trabalho, é preciso unidade e boa consciência política para se sindicalizar de modo a somar as suas forças para evitarem prejuízos outros”, falam Leandro e o conjunto de sindicatos.