MESMO COM HORAS-EXTRAS PARA SUPRIR A DEMANDA, CUNHA FACHHINI ALEGA CRISE E QUER BANCO DE HORAS

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Embora se fale muito da crise e de seus impactos na indústria, gráficos da Cunha Facchini, no interior do Estado de São Paulo, continuam fazendo horas-extras para suprir a demanda produtiva do mercado. Para atender tal necessidade, os adicionais na carga horária de empregados acontecem normalmente em meses intercalados. Apesar do cenário, na última semana, a empresa alegou enfrentar dificuldades por conta da crise financeira do Brasil e solicitou à entidade da classe (Sindigráficos) para permitir a troca do pagamento da hora-extra pela implantação do regime de banco de hora. O motivo posto foi o de que ficam máquinas ociosas em parte do mês posterior ao período de maior produção. A situação demonstra que o empresariado, mesmo em tempo de crise, permanece com a necessidade de trabalho extra, só não mais em todo tempo. Eis aí que fica claro a razão da solicitação da flexibilização dos direitos trabalhistas: Com a justificativa da crise, eles buscam baixar ainda mais seus custos com a folha de pagamento de funcionários, para evitar reduzir os seus lucros. Assim, no final deste processo, os patrões repassam os prejuízos com a atual crise somente para os empregados, diferente do que ocorre quando não há crise, mas incremento produtivo. 

CUNHA4“Não existe problema de fechamento de postos de trabalho na empresa e nem broncas maiores na relação trabalhista”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. A maioria dos 80 funcionários da Cunha Facchini são sindicalizados.

Contudo, ele explica que o que acontece por lá é especificamente a redução da produção e do lucro empresarial, visto que o trabalho extra não ocorre mais em todos os meses como em outrora antes da crise.

O dirigente entende que o fato é sim um reflexo da crise e também sente pela situação, mas frisa que tal razão não pode ser utilizada para flexibilizar direitos trabalhistas, em hipótese alguma, principalmente porque o lucro da empresa continua, embora que menor.

cunha1Rodrigues diz que em outras palavras, aceitar substituir o pagamento da hora-extra por implantação de banco de horas, como pediu a empresa, através dos gerentes de Recursos Humanos e da área Industrial, Marina Taekokunikata e Luiz Gonzaga respectivamente, é o mesmo que pedir para o trabalhador pagar para não diminuir parte do antigo lucro maior do patrão.

“A empresa continua lucrando só que menos em função da atual crise, porém, não é justo se aproveitar da situação para fazer o seu empregado pagar a conta sozinho”, sentencia.

O dirigente diz que o trabalhador já está pagando duramente com a alta da inflação que tem corroído o seu poder de compra. O salário já não tem mais o mesmo valor quando o funcionário vai ao supermercado, ou na hora de pagar a luz ou a água, que aumentou bastante nos últimos meses.