MESMO COM SUCATEAMENTO DO MTE, SINDICATO COMBATE SERVIÇO CLANDESTINO E MAIS FALHAS NA GRÁFICA HÉLIUS

Na próxima terça-feira (28), depois de oito meses de solicitado, a gráfica Hélius em Valinhos terá que tentar se explicar no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Campinas sobre as denúncias de graves irregularidades contra seus funcionários. Desde janeiro, o Sindicato da classe (Sindigráficos) pediu uma reunião de mediação contra os contratos de trabalho clandestinos e a não concessão de várias férias dos trabalhadores pela empresa. Mas só agora houve agenda no órgão público em função do sucateamento que cresce com Temer. Ao invés de investir no órgão para combater o crescimento das irregularidades contra os direitos trabalhistas depois da nova lei do trabalho, o governo Temer amplia o sucateamento e dificulta o trabalho dos sindicatos que fiscalizam as sonegações das empresas. 

“Esperamos todo esse tempo, mas já havíamos convocado os gráficos no período para tomarmos outras ações mais enérgicas para combater as violações, até uma greve se tivesse unidade entre os trabalhadores”, explica a razão da espera o presidente do sindicato, Leandro Rodrigues. E a espera ficou maior frente o sucateamento do Ministério do Trabalho por falta de investimento do governo Temer. E ficará pior se Alckmin receber os votos dos trabalhadores nas eleições para a Presidência do Brasil. “Alckmin e Bolsonaro já disseram que manterão a lei da reforma trabalhista; e Alckmin falou que acabará com o Ministério do Trabalho”, alerta Jurandir Franco, que atua desde o fim de 2017 no caso da Hélius, que só ainda não avançou porque o Ministério está sendo sucateado.

Por conta disso, só agora, oito meses após a solicitação do sindicato, a Hélius terá de explicar sobre as denúncias de um gráfico sem o registro na carteira de trabalho, além de outros cinco contratatos ilegalmente na condição de Pessoal Jurídica (PJ), quando na verdade, são funcionários iguais aos demais. Ademais, os empregados alegam que há pelo menos três anos não tiram férias. E, apesar das denúncias, o cenário continua existindo e as reclamações dos trabalhadores também. “Esperamos da Hélius uma resposta na próxima terça. E não nos limitaremos à acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Justiça”, adianta Jurandir.

O Sindigráficos não se esquivará do seu papel em defesa da categoria, mas os trabalhadores também precisam atuar nesta direção. Para isso, é preciso perder o medo de tomar uma ação mais forte quando preciso. O caso da Hélius já demonstra inclusive que é preciso mais energia. “É preciso perder o medo, buscar a unidade e organização com o sindicato para restabelecer os direitos violados. Sindicalizem-se”, avalia Leandro.