MESMO NA PANDEMIA, SINDICATO ENQUADRA MAIS EMPRESAS ENQUANTO GRÁFICAS PARA PROTEÇÃO DOS TRABALHADORES

Na última sexta-feira, o gráfico teve pouca coisa ou nada que celebrar no Dia do Trabalhador de 2020. Por sinal, desde a lei da reforma trabalhista de 2017, só se acumulam perdas no caminho com a redução de direitos. Até as aposentadorias foram atacadas pela reforma previdenciária do ano passado. E, agora, a pandemia do coronavírus ameaça a vida e saúde de todos, além das medidas do governo federal que impõem redução salarial e suspensão contratual por três e dois meses respectivamente. Está bem difícil. Apesar disso, o Sindigráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região não abre mão de continuar defendendo a vida e o emprego da categoria, mesmo em empresas que não se reconheciam enquanto do setor gráfico.

Em abril, por exemplo, mas quatro gráficas de municípios distintos foram enquadradas sindicalmente enquanto tais, bem como seus empregados. A consolidação desses enquadramentos ocorreu em Indaiatuba, Jundiaí, Pedreira e Cabreúva nas empresas MecPress, Criarts, Meca Adesivos e Flex Designer respectivamente. A iniciativa visa garantir aos funcionários a proteção sindical e o conjunto de direitos negociados pelo Sindigráficos todo ano para o conjunto da categoria na região, através da convenção.

O sindicato deve visitar os gráficos logo que possível. A entidade, por sua vez, já está atuando para a preservação do emprego deles durante o pico da crise do coronavírus e depois. A preocupação é mais que necessária, uma vez que só 13% das gráficas do País estão com a atividade normal, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abrigraf). Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, conta que três das quatro empresas recém-enquadradas já apresentaram à entidade sindical algum tipo de acordo com base em uma medida provisória precária do governo.

Na Flex Designer, em Cabreúva, o acordo da empresa feita com o gráfico reduziu a jornada de trabalho e salário pela metade, com o recebimento de um complemento na ordem de 50% do valor equivalente a um seguro-desemprego. Em contrapartida, os empregados terão emprego garantido pelos próximos seis meses – período importante para enfrentar este vírus e seus impactos na economia. A atuação sindical conseguiu reduzir parte dos malefícios desse acordo, evitando que o salário ficasse abaixo do piso salarial da categoria, que até agosto está estabelecido em R$ 1.674,20.

A gráfica Criarts, em Jundiaí, também firmou acordo com os profissionais de modo a garantir quatro meses de estabilidade empregatícia, sendo que optou pela suspensão contratual do trabalho por dois meses, conforme a Medida Provisória 936, do governo federal. Outra a fazer acordo direto com os funcionários foi a MecPress, em Indaiatuba. Os acordos de ambas já foram enviados ao Sindicato, consolidando o enquadramento sindical. A Mega Adesivo, apesar de enquadrada, ainda não informou como fica a situação dos empregados durante este pico da crise do novo coronavírus.