MULHER COM 25 ANOS NO ADMINISTRATIVO DE UMA GRÁFICA DEMITE EMPRESA E GARANTE TODOS OS DIREITOS NA JUSTIÇA

 

Embora trabalhou grande parte da vida no setor administrativo da mesma gráfica, a profissional é protegida pelos mesmos direitos das empregadas da produção. Todas são profissionais gráficas e contam com a proteção do Sindicato da classe (Sindigráficos), independente do setor dentro da empresa. E nem sempre quem atua no administrativo é menos explorada pelo patrão. É preciso estar unida e em torno do sindicato. Exemplo disto acaba de acontecer com uma funcionária da gráfica 1001, em Bragança Paulista. Com 25 anos de empresa, 14 destes convivendo com atraso salarial, sem o pagamento da PLR anual, atrasos da cesta básica mensal e do FGTS e acúmulo de suas férias, ela foi mandada embora sem sequer a demissão oficial e nada de direitos. A empresa só não contava que ela era protegida pelo sindicato, já que era associada e essa história mudou.  

A trabalhadora conseguiu demitir a empresa oficialmente através da ação judicial apresentada pelo Departamento Jurídico do Sindigráficos e sem nenhum custo financeira para ela. “Se não fosse esse processo chamado de rescisão indireta, que permite demissão do patrão quando descumpre as obrigações trabalhistas sistematicamente, o dano seria grande para a profissional com 25 anos de serviço no administrativo da gráfica 1001”, diz Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindicato. Ele conta que a empresa fechou e dificilmente a trabalhadora conseguiria amparo legal para obrigar a gráfica pagar se não conseguisse a rescisão indireta e, na mesma ação judicial, a cobrança dos direitos devidos ao longo do tempo trabalhado lá.

O prejuízo seria de uns R$ 30 mil. Porém, a profissional do administrativo da gráfica, consciente de que é uma empregada gráfica como qualquer outra dentro da empresa, devendo estar protegida em torno do sindicato, buscou a entidade na hora em que precisou porque era uma sindicalizada. O Sindigráficos funcionou e funciona como se fosse um seguro de vida, ou qualquer outro tipo de seguro de imóveis ou carro, sendo que o seguro para o(a) trabalhador(a) associado é a luta e a proteção de seus direitos, salários e condições de trabalho, estando empregados e desempregados.

A eficácia deste seguro para quem estar sindicalizada pode ser verificado agora com a ex-gráfica do administrativo da empresa 1001 em Bragança Paulista. “Embora a cidade estando bem distante das três sedes regionais do Sindigráficos, a entidade jamais se isenta de proteger nossa classe por aqui e em toda região”, conta Valter Correia, gráfico e diretor sindical que trabalha, mora e atua nesta localidade.  Ele não esconde a satisfação por mais um resultado positivo do sindicato em favor dos direitos da categoria.

Para Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, parte do êxito se deve a atuação do dirigente Valter na região de Bragança Paulista: “Ele é um dos sindicalistas de base mais atuantes de nossa entidade de classe.

A atuação do Departamento Jurídico do sindicato é outro diferencial toda vez que é acionado pelos(as) trabalhadores(as) associados(as). Este é o 2ª caso em poucos dias em que uma profissional gráfica conseguiu evitar a perda de anos de seus direitos após o sucesso da rescisão indireta e a cobrança de tudo através de ação judicial. A primeira foi do Grupo Fakka em Valinhos. Cresce a sonegação de direitos em gráficas e as mulheres precisam evoluir também em suas proteções através da sindicalização.