MULHERES GRÁFICAS DEIXAM MENSAGEM PARA CATEGORIA APÓS DIÁLOGO NO DOMINGO SOBRE DESMONTE DE DIREITO

Ao invés das participantes priorizarem a atividade festiva do tradicional Bingo em homenagem ao Mês Mundial da Mulher, realizado no último domingo (26), com show musical ao vivo e distribuição de prêmios, 80 profissionais gráficas de Jundiaí e Região, filiadas ao órgão de classe (Sindigráficos), optaram por dedicar-se mais a programação destinada aos esclarecimentos sobre as reformas do governo Temer. A inversão espontânea de prioridade está em sintonia com a conjuntura de ameaça aos direitos trabalhistas e ao temor delas em não mais conseguirem se aposentar e não receberem pensão se avançar a reforma previdenciária. Por esta questão, o ponto auge do evento foi a roda de diálogo sobre tal reforma, conduzida por Fé Juncal, presidente da Associação dos Aposentados de Jundiaí – entidade onde foi realizado o evento sindical. Fé ainda falou do fim do direito à estabilidade do emprego às gestantes e a exclusão de mais direitos se passar a reforma trabalhista, bem como o fim de direitos da convenção coletiva da categoria com a terceirização, aprovada na última semana por deputados e que Temer pode sancionar. A revolta das participantes foi generalizada quando souberam que além do golpe contra a aposentadoria, Temer também quer atacar os direitos trabalhistas. Reunidas, decidiram gravar uma mensagem (AQUI) para toda a categoria, homens e mulheres das indústrias gráficas da região.  

O fim do auxílio-creche, permissão para acompanhar filhos ao médico e outros vários direitos da convenção que buscam garantir a igualdade de gênero para as mulheres nas indústrias gráficas são alguns dos direitos que acabarão a partir da sanção presidencial ao projeto de terceirização total do trabalho e da aprovação da reforma trabalhista.

Toda categoria  também perderá os seus direitos a receberem a cesta básica mensal e a PLR anual, dentre outros variados benefícios. Estas questões foram expostas inclusive pelo presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues, presente na atividade, deixando claro que a terceirização e a reforma trabalhista retiram os direitos dos trabalhadores enquanto estão na ativa.

Além de terceirização, a reforma ainda permitirá contratos temporários (com período de até um ano) no lugar dos atuais contratos de trabalho por tempo indeterminado. “Nestes contratos temporários, a trabalhadora não terá estabilidade no emprego, mesmo que gestante, nem tampouco terá aviso-prévio e 40% do FGTS quando demitida e muito mais”, advertiu o advogado do Sindigráficos, Luis Carlos Laurindo.

Em relação aos esclarecimentos sobre a reforma previdenciária, Fé tirou várias dúvidas durante o momento da roda de diálogo e continuou após a esta etapa diante da grande procura de várias trabalhadoras durante a festividade no domingo.

Em síntese, foi possível abordar os problemas que serão gerados contra as mulheres com esta reforma que cria idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem; amplia de 30 para 49 anos de contribuição ao INSS para a mulher se aposentar; eleva de 15 para 25 anos de contribuição para liberar a aposentadoria com valor mínimo e barra aposentadoria de quem não atinge tal padrão; além de impedir o recebimento da pensão em certas situações e etc.

“O Comitê Feminino do Sindigráficos avalia que este Bingo foi o melhor de todos em relação à conscientização das próprias trabalhadoras em busca de informações para preservarem os seus direitos”, frisam Valéria Simionatto, Regina da Silva e Marcela Barbieri, integrantes deste coletivo de mulheres da categoria e organizadoras deste evento sindical.

Simionatto, gráfica da Log&Print, agradece a participação das colegas da  Log&Print, Jandaia, Oceano, Nova Página, Cunha Fachini, Guteplan, Bentech, Better’s, Emepê, Redoma, H Rosa, Graphs Studio e  GrafLog. Foi realizado um forte trabalho de base anterior ao evento, esclarecendo às trabalhadoras sobre os riscos com a reforma previdenciária, inclusive foi realizado no início do mês um café da manhã com elas no sindicato. É preciso organizar uma greve geral para barrar tais reformas do Temer.