MULHERES GRÁFICAS DESCOBREM NO SINDICATO QUE PODEM NÃO SE APOSENTAR E REJEITAM A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Em pleno domingo, no último de março, mês em comemoração ao Dia Mundial das Mulheres, dezenas de trabalhadoras sócias ao Sindicato dos Gráficos (Sindigráficos) lotaram a sede regional da entidade em Jundiaí. Muitas foram pela 1ª vez na entidade. Alguns se associaram na hora, ou pouco antes. Lá, a ex-servidora do INSS e advogada previdenciária, Ana Paula de Oliveira, e a presidente da Associação dos Aposentados de Jundiaí, Fé Juncal, detalharam para elas sobre a reforma da Previdência.  E descobriram o quanto será ruim para a vida de toda classe trabalhadora, mas bastante pior para as mulheres. A maioria delas, que estão na faixa dos 40 anos de idade ou pouco menos, terão grandes dificuldades de ser aposentarem. Tudo porque Bolsonaro, mesmo sem garantir o emprego para elas agora e muito menos quando mais velhas, decidiu que apenas se aposenta aquela que tiver 40 anos de trabalho e contribuição ao INSS.

Não adianta mais ter 15 anos de contribuição, como é hoje, para a mulher garantir a sua aposentadoria quanto chega a 60 anos de idade. Nem isso. Bolsonaro mudou. Com a reforma, a mulher só se aposenta com 62 anos de idade. Não se aposenta antes nem se tivesse 40 anos de contribuição. E nem para obter uma aposentadoria com valor mínimo. Até essa mínima ele aumentou o tempo mínimo de contribuição de 15 para 20 anos. Hoje, muitas mulheres não conseguem atingir esses 15 anos, já que, diferente dos homens, elas enfrentam vários períodos de desempregos, seja diante da maternidade e do cuidado com os filhos depois que nascem, seja pelo preconceito no mercado de trabalho e elevado quando estão mais velhas.

Ainda tem a regra de transição, que, a depender da idade da mulher (se) quando a reforma passar a valer, terão efeitos negativos maiores ou não. O cenário pior recairá justamente para quem tiver na casa dos 40 anos de idade, pois, a grosso modo, a regra de transição é para quem falta até 12 anos para ter os 62 anos de idade e com o tempo de contribuição necessário. A reforma atingirá em cheio quem tem 40 anos e menos. Essa notícia caiu como bomba para as trabalhadoras. A maioria estão nesta faixa etária. Mas quem estiver acima disso também sofrerá, mas menos.

De imediato, choveu perguntas para Ana Paula e Fé Juncal sobre mais detalhes e como ficará o direito de cada uma a partir da idade delas e o tempo já contribuído ao INSS. O cenário não foi nada bom. Integrantes do Promotoras Legais Populares (PLPs), coletivo formado por mulheres paulistas que buscam construir a visão de mundo da igualdade de direitos entre as diversidade étnico-racial, sexual e classe social, participaram do evento e ajudaram inclusive nas atividades pedagógicas com os filhos das trabalhadoras gráficas enquanto estavam na palestra e no bingo. E uma membra do PLP aproveitou para dizer as mulheres que o seu grupo atua justamente para esclarecer sobre os direitos da mulher e adiantou o quando existe de mulheres que ainda não sabem dos seus direitos.

O direito previdenciário é um desses importantes, seja o da pensão, do auxílio maternidade, auxílio-saúde, e a aposentadoria – benefícios estes que correm grandes riscos de desapareceram na prática com a reforma. “Mas mulher, quando se empodera, não mede consequências. Vai à luta. Defende ela e toda a sua família. Portanto, todas trabalhadoras gráficas devem fazer pressão pública e política contra essa reforma. E o 1º passo deve ser se fortalecendo através da representação de classe, que é o Sindigráficos, este que luta pela manutenção dos direitos trabalhistas e previdenciários. Como todas aqui já são sindicalizadas, devem participar da vida do sindicato e convidar as colegas de trabalho a se associarem para elevarem essa corrente contra o fim da aposentadoria”, realçou Fé.