MULHERES GRÁFICAS EM AÇÃO CONTRA TEMER QUE QUER AMPLIAR MAIS 19 ANOS DE SERVIÇO PARA APOSENTADORIA

Apesar de prejudicar significativamente a vida da classe trabalhadora, em especial as mulheres, o governo Temer insiste em aprovar a reforma previdenciária para fixar a aposentadoria com idade mínima de 65 anos para homem e mulher. Além da idade mínima, ele também quer aprovar a elevação de 30 para 49 anos o tempo de contribuição ao INSS do/a trabalhador/a para conquistar a justa aposentadoria integral. Na prática,  aumentará quase duas décadas de trabalho a mais para se aposentar.  Muitos/as profissionais não conseguirão mais se aposentar diante do acometimento de doenças (e mortes) e da falta de tempo de contribuição ao INSS frente o desemprego. O governo, por sua vez, apresentou tal proposta ao Congresso Nacional e já tem pressa para aprová-la. Deseja concluir tudo já no primeiro semestre. O Comitê Feminino do Sindicato dos Gráficos de Jundiaí e Região (Sindigráficos) repudia tamanha injustiça e antecipa que convocará as trabalhadoras para debater sobre o caso e buscará reagir ao grande ataque à classe.

”Nosso Comitê não ficará parada e calada enquanto Temer quer elevar em nossa vida quase 20 anos adicional de trabalho para se aposentar. É isso que significa aumentar de 30 para 49 anos o tempo de contribuição ao INSS para ter direito a aposentadoria integral”, diz Valéria Simionatto, coordenadora do Comitê de Mulheres do Sindigráficos.

A sindicalista, que labora na gráfica Log&Print, se reunirá com as demais dirigentes do coletivo para convidar as trabalhadoras nas portas das fábricas para juntas definirem uma atividade sindical a fim de debater e denunciar tal reforma previdenciária, que, dentre as mazelas,  quer determinar e igualar a idade mínima entre homens e mulheres para se aposentar.

A proposta mostra o desrespeito deste governo com as particularidades da saúde da mulher, bem como acentua as injustiças ao desconsiderar as duplas e/ou triplas jornadas de trabalho da mulher (trabalho, casa e escola). “É um absurdo igualar os gêneros biologicamente e socialmente desiguais”, repudia Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindigráficos.

A ideia inicial é fazer um café da manhã junto com as trabalhadores para debater a questão. O Comitê das Trabalhadoras tem pressa em iniciar as movimentações e definir a data. A agilidade se justifica porque Temer também tem pressa em aprovar as mudanças na aposentadoria para os homens e mulheres, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016.

Para mudar o sistema previdenciário o atual governo federal precisa da aprovação de três quintos da Câmara Federal e do Senado, com duas rodadas de votação em ambas as casas. “Infelizmente, em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados já aprovou a PEC. Agora, a proposta  terá de tramitar por, pelo menos, 40 sessões em um comissão especial, responsável por discute o mérito da matéria “, conta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Se aprovada, seguirá para votação no plenário da Câmara. Em seguida, a PEC 287/2016 passará pelo Senado, primeiramente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois pelo plenário. Foi contra tudo isso, que ainda em 2016, o Sindigráficos junto com o movimento intersindical da Região participou de um protesto público pelas ruas de Jundiaí contra essa ideia do presidente Temer de apresentar esta PEC.