MULHERES GRÁFICAS LOTAM SINDICATO E MARCAM A SUA POSIÇÃO EM PROL DA ENTIDADE DA CLASSE E EM DEFESA DOS SEUS DIREITOS E EMPREGOS NESTE ANO ELEITORAL

Apesar da dupla e tripla jornada das mulheres do setor de Acabamento nas gráficas da região e da grande maioria só receber o piso normativo,  quase 100 dessas mulheres deixaram o seu único dia de folga semanal e lotaram literalmente o Sindicato da classe (Sindigráficos) no último domingo (25). As trabalhadoras deram uma clara demonstração de que a luta da categoria em defesa de seus direitos, condições laborais e do emprego passa pelo sindicato, assumindo, na ocasião, tarefas no fortalecimento da entidade, como no convite de mais profissionais para a ampliação da sindicalização e na participação da nova campanha salarial em breve – condições indispensáveis para que a categoria não assista a retirada de seus direitos contidos dentro da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

A participação em massa delas dentro do Sindigráficos, que celebraram o fechamento do Mês da Mulher, mostraram a aproximação com o órgão da classe, contraponde-se assim às campanhas da mídia comercial dos últimos anos, puxadas por setores políticos das elites econômicas contra as entidades sindicais com o objetivo de enfraquecer a organização dos trabalhadores em prol dos seus direitos, condições laborais e empregos, que têm sido reduzidos amplamente desde a tomada da Presidência do Brasil por Temer e diante das suas medidas. As imagens do Sindicato abarrotado das mulheres gráficas evidencia que a unidade em torno da entidade, que, se somadas às demais trabalhadoras e trabalhadores da região pode, por exemplo, limitar a aplicação da nova lei trabalhista, bem como uma eventual reforma previdenciária após as eleições gerais.

Para Fé Juncal, presidenta da Associação dos Aposentados da região e palestrante no evento sobre os riscos das trabalhadoras com a reforma da Previdência, serão as mulheres, sem dúvida, as maiores prejudicadas com esta medida de Temer e seus políticos aliados. Aliás, ela lembrou que o risco da classe trabalhadora já não mais conseguir se aposentar é real diante de outra reforma que já foi aprovada e se tornou a nova lei do Trabalho, retirando mais de 100 direitos das leis trabalhistas no geral. Só por conta disso que passaram a ser permitidos contratos precários de trabalho que permitem a/o mulher/homem ficar períodos sem emprego e sem contribuição ao INSS, o que afeta a garantia da aposentadoria. E é só um dos prejuízos do contrato temporário, terceirizado, intermitente,   PJ, pois trabalha e contribui durante um tempo e fica sem nada no outro.

A revolta foi generalizada entre as profissionais ao se apropriarem dessa realidade. Algumas com questionamentos e a demonstração de que vão agir para buscar evitar estes males contra elas e aos demais gráficos.  E uma das soluções passa inevitavelmente pelo campo político e o outro pelo sindical. No político, Fé lembrou que dependerá muito através do voto nas eleições de outubro de cada trabalhador(a) a as suas famílias. “É preciso excluir os candidatos favoráveis à reforma previdenciária e os defensores da nova lei do Trabalho; votar só em políticos contrários. A situação se agravará se nós não elegermos a maioria de defensores de nossos direitos trabalhistas e previdenciários. Vote certo!”, realçou Fé.

“Este foi um dos motivos centrais da realização do evento este ano pelo Sindigráficos, frisando às profissionais sobre o que ocorre de verdade no país contra os seus direitos, porque não se vê isso na mídia comercial”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato e também palestrando no evento. Ele não escondeu a sua esperança de que as trabalhadoras entenderam a situação desafiadora, uma vez que elas assumiram a luta com o sindicato em defesa da preservação dos direitos de todas, pois, como foi colocado no domingo, o sindicato também já sente os efeitos desta nova lei do Trabalho, limitando sua ação. Mas a coisa pode mudar desde que haja uma mudança de cultura da maioria da/o trabalhador/a, participando e sindicalizando-se mais e não procurando a entidade só após ocorrer algo negativo feito pelo patrão, muitas vezes até demitidos, mas procurando antes para se protegerem e até avançarem se possível.

As mulheres presentes, todas já sindicalizadas, assumiram a missão de conversar com as/os colegas de trabalho neste sentido. E já pediram a lista dos nomes dos deputados federais e senadores que aprovaram a reforma trabalhista e que são favoráveis à reforma previdenciária. Elas pediram a lista para iniciarem uma campanha contra tais políticos nas eleições para tais cargos, pois não adianta escolherem um presidente ligado às pautas da classe trabalhadora se elas também elegerem os políticos para o Congresso Nacional defensores exclusivos das elites.

Outro ponto auge e emocionante do encontro das trabalhadoras gráficas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região foi quando Valéria Simionatto, diretora sindical e coordenadora do Comitê Feminino da entidade, fez questão de lembrar das mulheres lutadoras também na política em prol das minorias. “Todas somos fortes. Não vamos calar nossas vozes em defesa da justiça e igualdade. Não baixaremos a cabeça. Agora, somos todas Marielle”, bradou a sindicalista para as participantes durante o ato de desagravo pelo extermínio da vereadora carioca. E, com uma faixa em mãos, todas participantes repetiram três vezes: “Marielle, presente!”.

Houve ainda o momento de interação entre elas com o tradicional bingo de prêmios dançante com a participação do grupo de Samba 100 Rumo, formado por gráficos, a exemplo do sindicalistas Valdir Ramos. “Todo mundo brincou, mesmo com espaço apertado, creio que ficaram felizes e ainda aprenderam bastante”,  diz Carla Atoatte, gerente administrativa do sindicato há 15 anos. E as ganhadoras do bingo levaram os prêmios para casa, como Elisabete de Castro e Lidiane Constantino, da Cunha Facchini, Flávia da Silva (Oceano), Lucélia Santos e Marciélia Correia (Nova Página), Elesandra Pereira e Sirlene de Oliveira (Jandaia). Houve ainda ganhadoras de reservas para o Recanto de Férias da categoria, a exemplo de Natália Coqueiro e Patrícia Lima, ambas da Nova Página.