MULHERES GRÁFICAS SINDICALIZADAS VÃO CRITICAR AUMENTO DO FEMINICÍDIO NO PAÍS DURANTE O EVENTO NO DIA 22 DE MARÇO

Uma mulher é agredida a cada quatro minutos no Brasil. E centenas têm sido assassinadas por seus companheiros pelo fato de serem mulheres – um crime crescente denominado de feminicídio. Desde 2015, ano em que foi divulgado o último levantamento quantitativo nacional sobre o assunto, o Brasil já era o 5º país onde mais se matava mulher no mundo. O número tem crescido. Mas, apesar disso, o governo federal, mesmo tendo uma mulher (Damares) à frente do então Ministério responsável, quase zerou o repasse dos recursos a programas e projetos de apoio à mulher vítima de violência. As trabalhadoras gráficas também são vítimas. O feminicídio afeta a todas. Por esta razão, o tradicional Bingo das Mulheres Gráficas de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região, promovido pelo Sindigráficos, vai aproveitar o evento festivo para debater também sobre esta problemática.

O Bingo das Mulheres, que celebrará o Dia Internacional da Mulher, será realizado na sede regional Jundiaí do Sindigráficos, no dia 22 de março, a partir das 9h. O evento é voltado para a integração e lazer das gráficas. Haverá atração musical, comes e bebes gratuitos e recreação para seus filhos. Há quase 10 anos a atividade é realizada. O sindicato disponibiliza até transporte para locomoção das trabalhadoras. Elas também recebem brindes, além das premiações (eletrodomésticos e outros utensílios) para as vencedoras do bingo. As mulheres interessadas em participar devem se inscrever até o dia 18 de março através do WhatsApp 11 971992087. A perspectiva é de que cerca de 100 trabalhadores confirmem presença.

Para Valéria Simionatto, diretora sindical e gráfica da Log&Print, o evento será importante para também debater sobre a chaga social que cresce no Brasil: o feminicídio. “Embora a maior parte da programação é para o justo lazer das trabalhadoras, as quais são submetidas à dupla e tripla jornada no cotidiano, vamos falar sobre os perigos do feminicídio crescente”, diz sindicalista. É preciso falar sobre violências e desigualdades de gênero e sobretudo sobre os meios de enfrentar unidas esta perversão cultural do machismo. O governo não pode se isentar do seu papel no combate a tais crimes. Mas, infelizmente, tem abandonado todas mulheres com o corte de repasses para programas usados para proteção às vitimas da violência de gênero no Brasil. Em 2019, por exemplo, zerou o repasse de recursos para isso, como no Programa Casa da Mulher Brasileira, criado em 2015.

O Bingo das Mulheres Gráficas será um espaço importante para se fazer este e outros debates de interesse das mulheres e da classe trabalhadora. “Será inclusive um momento de conscientização sobre a necessidade de nos mantermos ainda mais unificadas em torno de nós e junto a nossa entidade de classe para defendermos os nossos salários, direitos e ainda melhores condições de trabalho, bem como o combate aos assédios e as desigualdades de gênero dentro do ambiente profissional”, conta Valéria.