NÃO DEUS, MAS LUCRO DO PATRÃO ACIMA DE TUDO. GOVERNO LIBERARÁ MAIS MORTE, MUTILAÇÃO E DOENÇA DE TRABALHADOR

As mutilações de dedos, mãos e braços dos gráficos e demais operários devem voltar nas indústrias e outros locais de trabalho com a redução da maioria das 37 Normas (NR) contra adoecimento e acidentes de trabalho no Brasil. O governo Bolsonaro já anunciou que 90% das NRs devem ser reduzidas. O presidente defende a medida. Diz que as normas são gastos e empecilhos para empresários. O gestor só não fala sobre a importância da manutenção das normas que, apesar de obrigar os patrões a gastarem com a saúde e segurança dos seus empregados, a exemplo nas gráficas, têm evitado doença e acidentes. E, ainda não fala que, mesmo com essas 37 NRs, o Brasil continua como 4º colocado no pódio dos primeiros países em número de acidentes e mortes. A cada 49 segundos tem um acidente de trabalho dentro do Brasil, com uma morte a cada 3 horas e 38 minutos.

“Em 2018, por exemplo, foram 623.786 de acidentes laborais registrados, sem falar nos não registrados. Os dados são da FioCruz, órgão oficial do Governo Federal. E, ao invés de Bolsonaro pensar em ampliar a proteção dos trabalhadores através da criação de mais NRs ou o aperfeiçoamento das já existentes, bem como elevar o número de fiscalizações e a eficácia, decide atacar as 37 NRs de saúde e segurança do trabalho existentes. E também já destruiu o Ministério do Trabalho, órgão responsável por fazer as fiscalizações nestas questões”, critica Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí e Vinhedo (Sindigráficos).

Para o Sindigráficos, fica mais uma vez escancarado que Bolsonaro é um inimigo da classe trabalhadora. “Essa medida de acabar com NR ao invés de ampliá-la, se posta em prática, mostra que este governo quer destruir (matar, mutilar e adoecer) o trabalhador. Se hoje já temos um acidente de trabalho a menos de um minuto, com uma morte a menos de quatro horas, imagina reduzindo essas normas de Saúde e Segurança”, alerta Leandro. Além dos acidentes com a volta de mutilações, como era comum no setor gráfico, a medida também fará crescer o número de enfermos devido ao trabalho sem qualquer proteção. Crescerá os problemas de coluna e mais tipos de doenças por falta de ergonomia e aquelas por esforços repetitivas

Por isso e muito mais, o Sindigráficos repudia essa medida de Bolsonaro, bem como todo o seu governo que somente privilegia o setor empresarial, enquanto massacra os direitos dos trabalhadores em favor da ampliação do lucro dos patrões. “Este governo não tem nada de Deus acima de tudo, mas sim patrão acima de todos, ou seja, acima da classe trabalhadora”, endossa Leandro e convoca os gráficos para reagirem para evitar o mal.