Nova crônica do absurdo

mp665A votação da medida provisória 665 (aprovada ontem (6) pela maioria dos deputados federais) – uma das que correspondem ao ajuste fiscal proposto pelo governo federal (ajuste ao qual me oponho e contra o qual voto!) – no plenário da Câmara se transformou num espetáculo deprimente.

A parte das galerias do plenário tomada pela Força Sindical (o bunker e fonte de financiamento de Paulinho da Força, criador do partido Solidariedade e aliado do PSDB e do DEM) vaiava e ofendia todos os deputados petistas que se revezam no microfone para defender o ajuste, e aplaudia com urros os deputados do DEM, do PPS e do PSDB que se colocavam contra ele (nós do PSOL não éramos vaiados nem aplaudidos porque estamos fora dessa polarização e temos discernimento para apontar os equívocos do governo Dilma e a demagogia/hipocrisia da oposição de direita que ora lhe ataca). Até aí, tudo bem (quer dizer, “tudo bem” em termos, já que a Força Sindical, DEM e PSDB parecem ter se esquecido de que os governos tucanos fizeram rigorosíssimos ajustes fiscais que afetaram os trabalhadores; barraram a proposta de taxação de grandes fortunas; votaram o fator previdenciário e outras medidas anti-trabalhistas e anti-populares).

Acontece que, no decorrer da sessão, a Força Sindical decidiu dar um passo adiante e derramou, sobre o plenário, uma chuva de cédulas de dólares falsos em cujas efígies estão Lula, Dilma e Vaccari sob insultos impublicáveis – os dólares falsos são muito bem-confeccionados (Quem financiou a confecção desse lote de dinheiro falso? Qual gráfica? São perguntas para a imprensa neutra e isenta…). Os petistas reagiram apenas escapando da chuva. Os tucanos, demistas e outros conservadores aplaudiram a Força Sindical e se alinharam a ela catando em coro o Hino Nacional (o hit ufanista da atual direita brasileira!). O hino se misturava a insultos. O clima se tornou mais tenso. Os sindicalistas da Força começaram a jogar outros objetos sobre os petistas. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ordenou o esvaziamento das galerias (aliás, ele demorou em fazer isso; por bem menos, jogou a Polícia Legislativa contra representantes dos povos indígenas quando estes entraram no plenário).

Aí, nesse momento, o clima pesou de vez. O deputado Orlando Silva, do PC do B, exigiu que o sistema de segurança da Câmara apontasse quem jogou os dólares falsos e os objetos sobre os deputados. O deputado Roberto Freire, do PPS, não gostou da proposta e atacou a atitude de Orlando Silva. Este reagiu; e então Freire lhe deu dois pequenos empurrou pelas costas. A deputada Jandira Feghali, PC do B, tentou conter Freire, mas este reagiu mal e pegou com força no braço dela… Pronto, instalou-se um bate-boca e troca de acusações.

Pensam que acabou aí? O pior estava por vir: tentando defender Roberto Freire das acusações de violento e antidemocrático, o deputado coronel da PM-DF Alberto Fraga, DEM, soltou a pérola machista e misógina para a Jandira Feghali: “Mulher que está na política e bate como homem tem que apanhar como homem!”.

De supetão e quase sem pensar, eu gritei: “Machista!”. E o resto do plenário se dividiu, ficando os homens do DEM, PSDB e PPS do lado de Fraga e contra Feghali. As mulheres, minoria aqui, reagiram com coro “A violência contra a mulher não é o Brasil que a gente quer”, ao qual se somaram às vozes dos deputados que nos opomos ao machismo e nos colocamos a favor da equidade de gênero.

Depois de um tempo e do pedido de desculpas por parte de Freire (mas não se Fraga), a sessão continua.

Tempo ruim!

POR: DEPUTADO JEAN WYLLYS

FONTE: FACEBOOK DO DEP. JEAN WYLLYS