SINDICATO PROPÕE À BOMIX UM MEIO DE EVITAR O TRABALHO DOS GRÁFICOS DA RAMI NA VÉSPERA DO NATAL E RÉVEILLON

Nos últimos dias, muitos gráficos da antiga Rami em Jundiaí, vendida ao grupo baiano Bomix, mesmo não tendo costume de procurar o Sindicato da categoria, mudaram de postura diante de uma proposta coloca pela nova direção empresarial: ou trabalha em dois domingos ou terá mesmo de trabalhar na véspera do Natal e do Réveillon. Descontentes, eles recusaram a proposta de ter de trabalhar aos domingos, preferiam folgar mesmo que fosse descontado do salário, mas isso é uma prática ilegal. O fato é que a insatisfação é geral, sobretudo depois de se dedicarem o ano inteiro para a empresa superar uma crise ampliada pela pandemia, sujeitando-se até a queda em sua renda através da redução da jornada e do banco de horas. Diante disso, os trabalhadores solicitaram o apoio do Sindigráficos para tentar mediar outra proposta e não a do trabalho nestas datas, tampouco aos domingos. A demanda já foi levada à Bomix.

O Sindigráficos, que há anos vem lutando pela manutenção e conquista de direitos e melhoria salarial dos gráficos da Rami, tendo até o acordo coletivo de jornada de trabalho firmado com os antigos donos e ainda em vigor, que foi até objetivo recente de reunião com o grupo Bomix, já partiu em defesa do conjunto dos gráficos e se reuniu ontem com o novo dono da Rami, Alexandre Rosário, e parte de sua diretoria no sindicato.

“Falei do descontentamento dos trabalhadores e sugeri que não fosse colocado o trabalho aos domingos, tampouco nas vésperas desses dois feriados, muito menos folga com desconto salarial pois é ilegal. Sugeri a liberação de todos nas vésperas de Natal e Réveillon e que essas horas fossem compensadas depois em dias normais da jornada de trabalho deles”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

A empresa ficou de analisar e apresentar sua proposta aos empregados. A Bomix lembrou que também não quer que ninguém tenha de trabalhar na véspera dos feriados, por isso propôs o labor no domingo, como fez nas outras plantas que possuem em Jundiaí e na Bahia. Ainda pontuou que têm boas perspectivas para a Rami. Já fez 44 novas contratações.  

O sindicato espera que a empresa possa atender os gráficos da Rami e leve em consideração todos os esforços que fizeram durante um ano difícil para todos. O Sindigráficos já está tratando de outras pautas com a direção da Bomix. O reajuste do defasado valor do vale-alimentação é uma das demandas. Outro é com relação à saúde do pessoal no setor do acabamento em risco diante do peso que estão sendo submetidos.

Por outro lado, Leandro alerta a todos os trabalhadores da Rami/Bomix que a falta de unidade e organização sindical dos mesmos, deixa-os mais frágeis diante de qualquer situação negocial porque fragiliza o seu sindicato, única entidade de atua na defesa da classe sistematicamente. Portanto, embora a negociação sindical já esteja em curso com a gráfica, a realidade reforça uma necessidade para que todos se sindicalizem. Somente juntos os gráficos são realmente fortes. SINDICALIZE-SE!  

JUNDIAÍ CONTABILIZA MAIS DE 16 MIL INFECTADOS E 453 MORTES PELA COVID-19 E TEM 78% DAS UTIS OCUPADAS

Nesta segunda-feira (14), a Prefeitura de Jundiaí informou que o município contabilizou  453 mortes pela covid-19. Houve também registro de novos casos, foram 58 contaminados, chegando ao total de 16.350 infectados. Os leitos públicos de UTI têm 78% de ocupação, enquanto os da rede particular estão com 68% da capacidade total. O município recebeu 94 notificações suspeitas de covid-19 nas últimas 24 horas, sendo 50 em casa, 30 internados e 14 óbitos aguardando resultado. Dos 85 internados, 24 estão usando ventilação mecânica. LEIA MAIS


FONTE: Com informações do JJ

MESMO NA PANDEMIA, APÓS 15 ANOS DE LUTA, SINDICATO CONQUISTA ACORDO HISTÓRICO COM JANDAIA PARA MELHORIA DA JORNADA DOS GRÁFICOS DE TODOS OS TURNOS

Nesta quarta-feira (16), mesmo com a pandemia, a maior reivindicação dos 360 gráficos da empresa de Cadernos, Jandaia, que fica em Caieiras e é uma das principais do Brasil, está muito perto de ser consolidada após 15 anos de luta sindical no local. Após ir avançando progressivamente, sobretudo há quatro anos quando garantiu uma folga mensal no sábado para todos do 2º turno e mais o feriado do Dia do Gráfico para todos da produção e do administrativo da empresa, o Sindicato acaba de negociar o fim do trabalho em todos fins de semana para todos os profissionais dos turnos, sem nenhum prejuízo no emprego, salário e direitos. Com isso, a Jandaia respalda a luta do sindicato para atender a categoria ao garantir a folga alternada em sábados/domingos para todos os gráficos do 1º, 2º e 3º turnos, inclusive com pequena redução de jornada nos 2º e 3º turnos, diminuição também negociada para maioria dos horários administrativos, estes como o trabalho semanal exclusivamente de segunda à sexta-feira.

“Acredito que transformamos o sonho dos trabalhadores em realidade. O sonho de não trabalhar mais todo final de semana, mas poder descansar e voltar a ter vida social com a família e amigos e emprego com direitos. Vi isso nos olhos e sentimentos de grande parte deles na última semana. O pessoal do 3º turno não terá mais de trabalhar todo domingo, nem o 1º turno em todo sábado, tampouco o 2º turno restrito a uma folga por mês.  Um ganho social imensurável, um presente de Natal, talvez o maior deles. O Sindicato fez/faz sua parte. Esperamos contar com todos trabalhadores que ainda não se sindicalizaram. Dois em cada três ainda não são sócios. É hora disso mudar para continuar mantendo a luta sindical e conquistas. SINDICALIZEM-SE”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Pelo acordado, todos trabalham de segunda a sexta semanalmente, e os gráficos dos 1º e 2º turnos também trabalham em sábados a cada quinze dias, não mais todo sábado. E o pessoal do 3º turno também deixa de ir trabalhar em todos os domingos. De 2ª a 6ª feira, o 1º turno entra às 5h42 e larga às 14h20, e das 5h42 às 16h22 no sábado alternado. O 2º turno inicia às 14h10 às 22h30, e das 9h33 às 20h15 no sábado alternado; O 3º turno começa às 22h30 e vai até às 5h42, e das 19h57 às 5h42 nos domingos alternados. E ainda existem quatro horários administrativos só de 2ª a 6ª feira, onde três deles garantem uma jornada de 42h30 semanal.   

Além da nova jornada que passará a valer a partir de 11 de janeiro, caso o avançado acordo negociado entre o sindicato e empresa seja aprovado depois de amanhã nas assembleias e votações dos trabalhadores, ainda foi possível garantir o feriado do Dia do Gráfico e o pagamento da hora-extra com valor maior, de 150%, se alguém trabalhar neste feriado (7 de fevereiro) e também no Dia do Trabalhador, de Natal, do Ano Novo, da Sexta Feira Santa e da Páscoa. A homologação sindical da rescisão contratual também volta a ser direito do trabalhador após flexibilização pela lei da reforma trabalhista de 2017.   “Este Acordo Coletivo de Trabalho consolida muitos anos de reivindicação do gráfico da Jandaia. O Sindicato sempre priorizou tal luta, conquistando agora essa demanda por ganho social no trabalho através de uma jornada melhor qualificada. O Sindigráficos fez a sua parte. É uma grande vitória para todos. A luta sindical, coletiva e continuada garante as conquistas. Sindicalize-se”, ressalta o advogado da entidade, Luís Carlos Laurindo.

OS INSTRUMENTOS DE DEFESA DOS TRABALHADORES DO ESTADO BRASILEIRO

*Por Luís Carlos Laurindo

Os trabalhadores, a partir do golpe de 2016 que, criminosamente, cassou o mandato legitimo de Dilma Rousseff, vem sofrendo prejuízos incalculáveis, logo no início do governo ilegítimo de Temer, veio a chamada reforma trabalhista, que reduziu direitos e dificultou o acesso a Justiça do Trabalho, tudo com o aval do Congresso Nacional e referendo do STF.

A dita reforma teve ainda como alvo a organização sindical, o governo e a mídia burguesa elegeram os Sindicatos como inimigo do trabalhador, dificultando o máximo a sobrevivência financeira das Entidades Sindicais, com o claro objetivo de aniquilar o único foco de organização e resistência da classe trabalhadora.

O governo brasileiro comandado por Temer e depois por Bolsonaro, o primeiro sucateou e o segundo decretou a extinção do Ministério do Trabalho, os trabalhadores não tem mais um órgão fiscalizador das condições de trabalho, acabou com as equipes técnicas que muito contribuíram com perícias técnicas no combate aos ambientes insalubres, periculosos, trabalhos que ajudaram na prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais.

Outro órgão que deveria servir de apoio aos trabalhadores o Ministério Publico do Trabalho, hoje resume-se a arquivar denuncias de trabalhadores que se sentem em risco permanente, seja pelas más condições de trabalho, seja pelos atos de desacato a legislação trabalhista pelos patrões, bem como, acontece com os pedidos de abertura de inquéritos civis pelos Sindicatos de trabalhadores, a resposta é quase sempre as mesmas “…No que concerne aos fatos relatados pelo denunciante, entendo se tratar a irregularidade de violação a direito individual homogêneo, que não se relaciona às metas prioritárias de atuação do MPT…”.

A conclusão que chegamos é que o trabalhador não conta hoje com uma legislação protecionista, tem mais deveres do que direitos, não pode pleitear na Justiça o que entende ser seu direito sob pena de ter que arcar com pagamento de custas processuais e honorários para a parte contrária, não pode contar com o Ministério do Trabalho porque o Bolsonaro o extinguiu, não pode contar com o Ministério Público do Trabalho porque não atua na defesa individual ou de pequenos coletivos de trabalhadores.

O trabalhador precisa dar conta de que só existe uma instituição confiável e que defende o seu interesse, seja individual, seja coletivo, o Sindicato dos Trabalhadores, que apesar de todo o bombardeio que recebe diariamente das organizações patronais e imprensa em geral, sobrevive por idealismo de seus membros, os sindicalizados, os ativistas sindicais e a Diretoria da Entidade Sindical, que não se calam jamais diante de injustiças, do desemprego, do arrocho salarial e das más condições de trabalho.

Companheiros gráficos de Cajamar, Jundiai, Vinhedo e região, faça parte dessa luta, sindicalize-se e fortaleça o seu Sindicato.

*Luís Carlos Laurindo é o advogado trabalhista do Sindigráficos e de outras entidades sindicais no Estado de São Paulo