PATRÕES RECUAM DO PACOTE DE MALDADES CONTRA DIREITOS DOS GRÁFICOS DIANTE DA REAÇÃO DA CLASSE

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Mesmo com o cenário de crise financeira e de desemprego, os gráficos se colocaram na linha de frente contra o pacote de maldades patronal. A combatividade evitou a consolidação do desejo dos empresários de tirar PLR, reduzir o piso salarial de parte dos trabalhadores, baixar adicional noturno e muito mais. Os patrões recuaram da ofensiva. Isso prova que sempre esteve válida aquela frase de que o tamanho da conquista é do tamanho da mobilização da classe. E a luta foi equivalente ao tamanho para evitar retrocessos nos direitos. Entre os principais responsáveis por esse resultado estão os gráficos da região de Jundiaí, com destaque a forte participação e posição dos trabalhadores da Gonçalves, Log&Print, Jandaia, Emepe, CCL e Cunha Facchini. Estes gráficos e de outras regiões do Estado posicionaram-se contra a ofensiva patronal. Essa postura garantiu ainda a recomposição salarial da categoria frente à inflação. O reajuste será de 10,33%. O tamanho dessa luta, frente à crise e desemprego, só não foi o suficiente para garantir um aumento de uma única vez. Será de 7% no salário de novembro e 3,33% a partir de março. Porém, sem a luta, o patrão só daria 7% e parcelado, conforme o pacote de maldade inicial. O novo salário, com o índice definido, já deve ser pago no dia 5 de dezembro.  

goncalves“O recuo dos patrões sobre os direitos dos gráficos e a nova proposta do aumento salarial foi sinalizado recentemente pelo sindicato patronal a nossa comissão de sindicatos dos trabalhadores da classe em SP”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Gráficos da Região de Jundiaí. Ainda esta semana haverá uma reunião final da campanha, visto que a grande maioria dos sindicatos abalizaram a proposta. Contudo, ainda assim, o  sindicato, através dos seus dirigentes, tem consultado a sua base sobre a questão. E a grande maioria sinalizou que, visto que os direitos serão mantidos e haverá recomposição salarial, mesmo com a crise financeira, a atual proposta patronal é razoável, pois é coerente com uma parte da campanha, que defendia fortemente não retroceder jamais nos direitos.

jandaiaPor esta razão, a PLR será mantida com os mesmos valores e faixas já  existentes em 2014. A manutenção da PLR representa dinheiro no bolso do gráfico. A menor faixa é de R$ 605,72. Para se ter ideia, esse valor equivale a 3,57% do salário mensal de quem recebe o piso da categoria. Por falar em piso, não haverá pisos menores para parte da classe como queriam os patrões. O pessoal do setor de acabamento e os aprendizes continuarão recebendo o piso do gráfico e não salário mínimo estadual e nacional respectivamente, como exigiam os empresários. O trabalho à noite continua com adicional de 35% da hora de trabalho diurno. Existia uma pressão do sindicato patronal para reduzir a 20%. Houve somente uma alteração referente ao teto salarial. O mesmo passa para R$ 9 mil.

emepe1Rodrigues avalia que o ideal seria ter ganho real no salarial e direitos maiores, pois aí incluía a parte do avanço defendida na campanha. Mas ele reconhece que para conquistar tais pontos frente ao cenário de crise, só uma greve geral ou de várias empresas no Estado ao mesmo tempo – situação que diante da conjuntura com desempregos era difícil ocorrer.

Porém, mesmo na crise a classe não retrocedeu nos direitos. “E esse foi o tamanho da conquista com base no tamanho da luta da nossa classe”, avalia o dirigente. Entretanto, ele faz questão de ressaltar que ficou uma grande lição dessa campanha para o movimento sindical e para todos os trabalhadores, sobretudo para os que não participaram: para avançar nos direitos e nos salários em tempos de crise é preciso uma maior participação do conjunto da categoria junto aos sindicatos e nas ações no decorrer do ano inteiro, uma vez que o patrão trabalhará sempre para tentar fragilizar a luta de classe para enfraquecer consequentemente os direitos e salários dos gráficos, como pode ser vista nesta campanha.

cclEis a necessidade dos gráficos fortalecerem seus sindicatos através da filiação e da participação na vida sindical, seja nas assembleias e outras atividades. “Essas e outras posturas da categoria são indispensáveis para evitar a perda de direitos nas próximas campanhas, mas também para voltar a avançar no salário e direitos, com ou sem crise financeira. A filiação ao Sindicato dos Gráficos de Jundiaí pode ser feita através do site da entidade. Sindicaliza-se agora mesmo.CLIQUE AQUI