PELA VOLTA DE DIREITOS E RESPEITO, GRÁFICOS PODEM PARAR EMPRESA DURANTE IMPRESSÃO DO GIBI DA TURMA DA MÔNICA

Nos últimos anos, bem antes da validade da atrasada nova lei trabalhista do Temer em 2017, importantes direitos dos gráficos da Cunha Facchini foram retirados intransigentemente e ilegalmente, como o café da manhã, conquista dos trabalhadores originária da greve de 2013. A cesta básica também tem atrasado com frequência. E tem-se reduzido o dinheiro das verbas rescisórias dos demitidos. Na última semana, por exemplo, se não fosse a atenção de um dos ex-funcionários indo até ao sindicato da classe (Sindigráficos) com o termo de rescisão, ele jamais saberia que recebeu R$ 3,7 mil a menos. A entidade da categoria cobrou o valor pendente e alerta a empresa que se não pagar, acionará a Justiça e denunciará ela ao Ministério Público do Trabalho (MPT), bem como os (in)responsáveis da Câmara Arbitral onde as rescisões são feitas com os direitos à menos. 

 

“Se a gráfica mantiver irregularidades das rescisões para sonegar direitos dos gráficos demitidos com a ajuda de Câmara Arbitrais, e se não resolver o café da manhã dos trabalhadores, o movimento grevista feito em 2013, sob a liderança do sindicato, pode voltar durante a impressão do Gibi da Turma da Mônica”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. A entrega da cesta básica também deve ser regularizada, pois nos últimos meses têm atrasado com frequência. O dirigente lembra que a greve de 2013 foi realizada justamente porque a empresa negava ao sindicato e aos trabalhadores a solução de falhas e demandas postas pelos empregados.

 

Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindigráficos, alerta para a sonegação de direitos dos trabalhadores quando as empresas fazem a ilegal rescisão em Câmara Arbitral, pois, comumente, parcelam o pagamento das verbas rescisórias e com valores menores. Dois direitos são retirados de imediato com reflexos direto sobre outros direitos e consequente redução do valor. Não pagam a multa no valor de um salário nominal extra que é obrigatório toda vez que as verbas rescisórias não são pagas integralmente. E ainda não incluem o mês adicional enquanto aviso-prévio que tem o reflexo com adição automática do referido mês a ser pago relativo a mais uma cesta básica e a proporcionalidade do FGTS, INSS, 1/12 das férias e 13º salário.

 

Tais questões e mais a negação da última PLR foram justamente os itens negados ao gráfico conforme foi verificado pelo Sindigráficos no termo de rescisão feito entre a Cunha Facchini e a Câmara Arbitral. Laurindo fez os cálculos e verificou a redução de R$ 3,7 mil. “Acionamos a empresa para pagar tudo ou encarar a Justiça, o MPT e possível greve”, pontua Jurandir Franco, diretor sindical. Ele alerta ainda aos demais demitidos nos últimos meses a levarem também para conferência sindical o termo de rescisão, pois, certamente, terá dinheiro a receber devido a sonegação de direitos. A lei só permite questionar direitos negados até dois anos após demissão. Franco convoca ainda os não sindicalizados da gráfica a se juntarem aos já associados que são muitos na Cunha Facchini. Sindicalize-se e Lute!