PERPLEXOS E REVOLTADOS, CLIMA ESQUENTOU NA FESTA QUANDO OS GRÁFICOS SOUBERAM DE ATAQUES A DIREITOS

O único momento que o ‘clima’ esquentou na festa do gráfico de Jundiaí e Região, realizada no domingo da outra semana, foi quando os gráficos souberam que suas jornadas de trabalho podem aumentar, os salários e direitos podem reduzir e aposentadorias estão em risco. Eles souberam que tudo isso acontecerá se forem aprovadas as reformas trabalhista e previdenciária do presidente Temer, sendo analisadas apressadamente no Congresso Nacional. Essas reformas são defendidas pelo governo federal, grande parte dos deputados federais e senadores e por todas as entidades patronais do Estado de SP (sobretudo a Federação Estadual das Indústrias – Fiesp) e do Brasil (liderada pela Confederação Nacional das Indústrias – CNI). Estas informações foram repassada pelo presidente do Sindicato organizador da festividade da categoria (Sindigráficos), Leandro Rodrigues, durante a programação política do evento em homenagem ao Dia Nacional da Classe. Os trabalhadores consideraram as reformas como um grande ataque contra toda classe trabalhadora. Vaiaram a cada notícia sobre a retirada de direitos. E, quando foram consultados o que Temer merecia, a classe e familiares deram em peso uma longa vaia e gritavam FORA TEMER. Depois, o clima de alegria foi voltando ao normal, mas dezenas de gráficos procuraram os sindicalistas se colocando para entrar na luta contra as reformas e ao projeto da terceirização total da mão de obra.

As trabalhadoras gráficas, lideradas pelo Comitê Feminino da categoria, participarão inclusive da 1ª iniciativa contra tais reformas neste domingo (5). Elas estarão presentes no café da manhã na sede do Sindigráficos para debater sobre a reforma previdenciária e os prejuízos práticos deste projeto do Temer. O jurista Luis Carlos Laurindo e a presidenta da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí, Fé Juncal, já confirmaram as participações. Eles vão apresentar os vários retrocessos na concessão da aposentadoria. “No geral, cada trabalhadora terá de contribuir mais 19 anos ao INSS para poder se aposentar com valor integral. E quem não contribuir 25 anos no mínimo, será proibida de se aposentar, mesmo que com um valor reduzido”, disse a dirigente do Sindigráficos e coordenadora do Comitê, Valéria Simionatto,  durante a programação política da Festa do Dia do Gráfico, realizada em um Sítio de Jundiaí.

A 2º ação dos gráficos contra as reformas previdenciária e trabalhista do Temer também será puxada pelas trabalhadoras da categoria. Elas promoverão um bingo em homenagem ao dia Internacional da Mulher. O evento será realizado no próximo dia 26, na sede da Associação dos Aposentados de Jundiaí e Região. Além disso, o Sindigráficos garante que vai se integrar em mais atividades contra os ataques do Temer aos direitos dos trabalhadores. Os gráficos participarão das atividades regionais e na capital paulista contra tais reformas. A entidade convida a categoria para entrar na luta.

O reação de desagravo dos gráficos foi forte. “A categoria se preocupou muito depois de saber do tamanho dos retrocessos se forem aprovadas as propostas do governo federal. A classe se mostrou unida e disposta para entrar na luta”, diz Jurandir Franco, um dos sindicalistas que falou durante a programação da festa. Dentre os pontos, ele chamou atenção para os alertas que o Sindigráficos já vem dando desde o golpe sobre a presidente Dilma para, em seguida, ser dado o golpe sobre os direitos. Os gráficos e sua família precisam tomar as ruas para protestar contra aprovação dessas medidas, pois, senão, ninguém se aposenta mais. Ele lembrou que se tiver 24 anos e 11 meses de contribuição ao INSS, com 65 anos, a aposentadoria não será mais liberada. E se não tiver 49 anos de contribuição também não consegue se aposentar com valor integral.

Apesar do clima de festa, os gráficos ficaram ouvindo perplexos e revoltados diante da gravidade desses fatos informados na ocasião. “Reaja agora, ou morra trabalhando”, bradou Rodrigues o slogan da CUT contra tais reformas. O protagonismo dos gráficos será fundamental nesta necessária reação da classe trabalhadora contra os projetos neoliberais do governo Temer. O legado de luta e de conquistas dos direitos trabalhistas, originário desde a grande e vitoriosa greve da categoria em 1923, foi lembrado pelo presidente da Federação Estadual dos gráficos, Leonardo Del Roy, presente no local. E a firme atuação do Sindigráficos em defesa dos direitos da classe foi realçado pelo presidente do Sindicato dos Bancários/Jundiaí, Douglas Yamagata, realçando tal desempenho da entidade sindical como sendo um dos principais da CUT na Região.