PIPERALTAS RECUA E FOGE DE ENQUADRAMENTO SINDICAL JÁ NEGOCIADO PARA EVITAR PAGAR SALÁRIO MAIOR AO GRÁFICO

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Apesar de ter concordado em se enquadrar sindicalmente com o órgão de classe que representa os gráficos da sua empresa, tirando até fotos ao lado dos empregados e de um sindicalista, para celebrar a ação, o proprietário da Piperaltas Papers, em Vinhedo, acaba de descumprir o acordo. Em menos de um mês do anúncio, a empresa recuou, conforme foi apurado junto aos trabalhadores na semana passada. O recuo dele foi constatado depois que chegou o período do pagamento salarial. E o menor salário lá continua sendo pago abaixo do piso da classe, que é de R$ 1.280,40. Há depoimentos de que houve remuneração de apenas R$ 800 para empregados. Desde então, o Sindigráficos está no encalço do empresário, que tem evitado falar com os sindicalistas, bem como tem postergado uma reunião para tratar da questão. O Sindicato adianta que não descansará enquanto não resolver tudo. E já está se preparando para acionar os meios legais para fazer cumprir a lei,  já que a atividade econômica da Piperaltas usa o processo de impressão, caracterizando-a dentro da área gráfica, conforme aborda a Classificação Brasileira de Ocupações 9.2, Grande Grupo 7, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, bem como a carta sindical do Sindigráficos, além das clausulas 2º e 86º na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. 

pipa1“É melhor a empresa nos procurar logo, pois lei não discute, se cumpre”, alerta Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato. E foi por esta razão que a empresa havia se comprometido no último mês de se enquadrar sindicalmente à entidade de representação dos gráficos.

O dirigente ressalta que já tinha dado o caso como encerrando, quando foi surpreendido com ligações e envio de e-mails dos empregados falando que nada estava certo, como havia sido combinado e divulgado no site do Sindigráficos.

O salário continuou sendo pago muito abaixo do piso salarial da categoria. De imediato, logo após as justas reclamações dos funcionários, o Sindigráficos está a procura do empresário, que, desde a semana passada, foge de dar explicações sobre o ocorrido, e, sobretudo se esquiva de mostrar a efetiva resolução definitiva já negociada.

“A única solução é a empresa passar a pagar o piso salarial do gráfico para seus gráficos, bem como cumprir todas as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho da respectiva categoria”, adianta Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos. Ou seja, é preciso pagar salário de R$ 1.280,40 e não de R$ 800. E oferecer cesta básica, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa aos seus gráficos, entre outros direitos.

impressao“Foi exatamente isso o que ocorreu noutra empresa da região. Ela foi procurada pelo Sindigráficos, aceitou o enquadramento e cumpriu tudo”, lembra Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos. O dirigente está falando da empresa Impressão, em Amparo, que deveria estar enquadrada sindicalmente desde sempre no setor gráfico, mas não estava, porém logo se enquadrou depois de procurada pelos sindicalistas. A Impressão não fugiu do que negociou e cumpriu as cláusulas postas na Convenção, do salário aos benefícios descritos nela.

Embora a empresa fosse ter que se adequar profundamente, sobretudo nas suas finanças, porque havia funcionários que recebiam até 40% a menos do piso salarial dos gráficos, a empresa Impressão não se eximiu das suas obrigações legais.

Desde então, depois da conclusão do acordo com o sindicato, os seus funcionários passaram a receber com base no setor  gráfico. Este ano, inclusive, pela primeira vez, receberam a 1ª parcela do  PLR. Estão recebendo também cesta básica e, como não podia ser diferente, puderam se sindicalizar espontaneamente.