POR QUE A TUIUTI, VICE-CAMPEÃ, ACERTA AO COMPARAR A LEI DA REFORMA TRABALHISTA COM TRABALHO ESCRAVO?

“Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”. Essa foi a pergunta que a escola Paraíso Tuiuti buscou responder em seu desfile, ligando o legado histórico da escravidão negra no país com a nova lei trabalhista – realidade exposta em rede nacional em pleno Carnaval para o Brasil e para todo o mundo, com muito constrangimento por parte da Globo. E a grande maioria da classe trabalhadora, além dos desempregados e dos aposentados concordam com a tese da vice-campeã do Carnaval carioca sobre a nova e retrógrada realidade social brasileira, porque eles já sentem ou temem o início da reescravização sobre eles através da aplicação desta perversa e atrasada lei pseudo-trabalhista de Temer e seus aliados congressistas, apoiados pelos setores empresariais e outros segmentos poderosos e endinheirados.

A realidade de quem conhece seu dia a dia de trabalho, desde o transporte público, às condições muitas vezes precárias e mal remuneradas do trabalho. Uma verdadeira escravidão assalariada nos postos de trabalho informal, ainda mais quando terceirizados, temporários. Toda essa realidade, é a cara “moderna” da Reforma Trabalhista, segundo Temer, Maia, Frota, todos os golpistas do Judiciário e do Congresso.

A começar pelo que a burguesia brasileira nem se coça em deixar explícito. A legalização da escravidão no campo graças a nova lei trabalhista. O trabalhador rural, que até hoje é composta majoritariamente pela população negra e indígena (muitas vezes nas próprias terras expropriadas de seu povo), poderá ser remunerado por qualquer espécie, não necessitando que lhe seja pago um salário. Um abrigo, alimentação, escambo, respeitando as “tradições” escravistas do campo, permitida pela nova lei.

Veja aqui o mapa do trabalho escravo no Brasil.

Além de não ter gerado tantos empregos como Maia prometia, os novos postos de trabalho já demonstram que o aumento na informalidade veio para acabar com as condições de vida do trabalhador, tornando todo mundo semiempregado. Informais, com salários de R$ 153,68, ou R$4,50 a hora em fast foods e lojas de departamento, rotativos ao ponto da juventude negra e trabalhadora viver a procura de emprego, mesmo quando empregado. Por fim, terminam em empregos temporários que podem que resultam em uma carga horária de 12h diárias. Não tempo para estudar, ou ter vida social, tempo com a família.

A nova lei da terceirização, generaliza a forma mais precária de trabalho no capitalismo, que serve, em primeiro lugar, para relegar os serviços de limpeza, telemarketing, aos mais precários na produção, às mulheres negras. Aos transexuais e travestis, muitas vezes. Postos onde o patrão prefere pagar a uma empresária um valor três vezes superior ao salário inferior ao mínimo, miserável, que a empresa paga ao trabalhador. Tudo isso para poder burlar descaradamente direitos enquanto cria uma nova forma de lucrar em cima da superexploração desses trabalhadores.

7 pontos da Reforma Trabalhista que tornarão a vida do trabalhador brasileiro um inferno

São mais de 250 empresários, dentre eles os mais ricos do mundo ou do país, que fazem suas fortunas desse nível de exploração. Esses são alguns exemplos de como a reforma Trabalhista está vinculada a ampliação da escravidão assalariada e explícita no nosso país. O governo Temer reduziu em quase ¼ as operações contra trabalho escravo no país, além de ter tentado publicar uma portaria que banalizaria esse tipo de situação no campo.No capitalismo brasileiro, trabalho escravo virou modalidade desde a escravidão negra, e a agenda neoliberal reformista expõe o nível de degradação social ele está disposto a regulamentar, ainda chamar de “moderno”.

A energia que o ódio popular carrega contra essa realidade é muita, mas as centrais sindicais insistem em trair os trabalhadores e boicotar a sua vontade de luta. No próximo dia 19, o Esquerda Diário participará do Dia Nacional de Lutar para exigir que essas centrais saiam “bloco do corpo mole” e organizem nos seus sindicatos uma greve geral antes que os golpistas e patrões negociem e consigam votos para a Reforma da Previdência. Chega de colocar os trabalhadores a reboque da agenda neoliberal e golpista do Congresso.

Transformar a jornada de luta em exigência a greve geral contra as reformas e pelo direito de votar em quem quiser

Essa luta também pode servir para revogar a Reforma Trabalhista e dar uma saída dos trabalhadores para a crise no país, mirando em primeiro lugar nos privilégios da casta do Judiciário, política e capitalista. Essa democracia degradada, usa os mesmos métodos autoritários do judiciário racista para perseguir politicamente o direito elementar do povo decidir em quem vai votar (mesmo que seja Lula), já provou a todos que é cada vez mais antidemocrática para atacar direitos históricos dos trabalhadores.

Nesse sentido, a luta contra as reformas também deve servir para exigir o direito do povo poder decidir em quem votar. Mas também não depositamos qualquer esperança na possibilidade de Lula, caso eleito, reverter qualquer reforma. Somente a continuidade dessa luta poderia exigir eleições de representantes de uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, que tenha como primeira tarefa reverter a Reforma Trabalhista e toda agenda neoliberal do golpe, apagar esse período da história do país, assim como tornando revogáveis os mandatos de políticos e juízes (que passem a ser eleitos por sufrágio universal). Ao mesmo tempo, essa Constituinte será capaz de impor que seus privilégios sejam reduzidos ao salário de uma professora (por sua vez, deverá receber o salário base do DIEESE), com o combate a corrupção sob responsabilidade de juris populares.

POR  Ítalo Gimenes

FONTE: Com informações da ESQUERDA DIÁRIO