PRINT LASER APÓS ASSUMIR LOG&PRINT MUDA PROMESSA DE MAIS EMPREGO PARA PROPOR RETIRADA DE CONQUISTA

Em poucas semanas, após gestores da Print Laser assumirem a gestão da Log&Print, em Vinhedo, muita coisa mudou no perfil da nova direção relativa ao respeito dos direitos e conquistas dos gráficos. Da 1ª reunião feita em junho com o Sindicato da classe (Sindigráficos) até a última, no último mês, os controladores da empresa mudaram seus discursos de evolução em negócios e empregos para atacar os 420 funcionários. O planejamento continua otimista em relação a ampliação da produção, mas tornou-se negativo referente aos direitos dos trabalhadores. A meta agora é exigir mais dos gráficos, com horas-extras recorrentes, inclusive nos domingos, mas sem pagar por elas ou pela maioria delas. E querem acabar com as folgas remuneradas consolidadas ha muito tempo entre outras conquistas.

Este radical desejo de recuar sobre direitos e conquistas, em sintonia com a reforma trabalhista do Temer, passou a ser defendido pelos novos gestores. O Sindicato já enviou ofício reprovando tais medidas. Fez uma assembleia com os gráficos na última sexta (15),  preparando-os para o enfrentamento, se necessário. Anteriormente, convocou a empresa para debater sobre o assunto e apontou a inviabilidade e atrocidades do ataque aos direitos, listando inclusive as legislações trabalhistas em favor dos funcionários. A questão será travada entre os sindicalistas e os gestores da empresa nesta quarta-feira (20), no período da manhã, na sede do Sindigráficos.

A entidade lembrará da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da classe, que obriga toda gráfica a pagar hora-extra pelo serviço adicional (100% nos domingos e feriados e 65% em dias de semana). Logo, não é aceitável proposta diferente. Mas, a CCT só vale até outubro, e depende da sua renovação durante a campanha salarial deste ano. Os gráficos também vão precisar participar e lutar junto com o sindicato para evitar os efeitos da reforma trabalhista em relação a implementação ao banco de horas em troca do pagamento da hora-extra – situação inclusive que a direção da Log&Print já quer impor, e em condições mais severas.

O Sindigráficos lembrará também a nova gestão empresarial da folga remunerada garantida ao funcionário em um dia da semana posterior ao trabalho extra quando exercido no domingo. E da folga adicional de um sábado mensal para os gráficos do 2º turno, em função da sua jornada. Os gestores da Log&Print avisaram que acabarão com ambas as folgas. Estas, porém, são direitos antigos dos gráficos, negociados há tempos pelo sindicato, funcionários e empresa, que constam no Acordo Coletiva de Trabalho – este que precisa inclusive ser renovado agora, onde o Sindigráficos continua defendendo o trabalho só em sábados alternados.

utro direito que consta neste acordo que a nova gestão quer precarizar é o valor do desconto salarial sobre o vale-transporte. Hoje paga-se de 4,5% a 5%, a depender do salário, mas a empresa quer elevar para 6%. “É inadmissível aumentar a jornada de trabalho ao invés de avançar na contratação de mais empregados, como foi anunciado quando chegou, pois prejudicará a saúde dos contratados e manterá o desemprego na região. E é imoral defender o não pagamento financeiro do serviço extra, bem como é um absurdo aumentar o desconto do vale transporte”, frisa Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O dirigente é enfático ao classificar a proposta como precarizadora das conquistas dos gráficos e que jamais passará se depender dos sindicalistas, acreditando que a classe reagirá.