QUEM DECIDE É O GRÁFICO NA ASSEMBLEIA DE DOMINGO. SINDICATO CONVOCA CLASSE PARA ANALISAR A PROPOSTA SALARIAL FINAL DOS PATRÕES

Faltam menos de duas semanas para terminar setembro, mês para que as indústrias gráficas garantam o reajuste salarial dos seus trabalhadores. A data-base para referência anual do aumento passou de 1º de novembro para 1º de setembro, conforme a campanha salarial do último ano. Sendo assim, o salário agora de setembro deve vir com aumento para evitar que tenha perdas diante da inflação, mesmo 10 meses após o último reajuste. O patronal acaba de enviar sua contraproposta. E o Sindicato dos gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região (Sindigráficos) convoca a classe para decidir a questão durante uma assembleia neste domingo, a partir das 8h, na sede regional do órgão em Jundiaí. A decisão será dos gráficos e terá validade para todos os 5,5 mil trabalhadores da categoria na região.

“A palavra final é sempre dos gráficos. Vamos analisar junto com a base presente na assembleia a proposta patronal, se aceitamos ou recusamos. Aqui quem decide é o trabalhador”, conta Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos e negociador com o sindicato dos donos das gráficas. O dirigente adianta que, apesar do cenário de desemprego e de queda da produção industrial, acompanhando a crise econômica, a recomposição inflacionária estará garantida, bem como a manutenção da Participação nos Lucros e Resultados, este direito que continuará com valor congelado

Além disso, o patronal já nos reafirmou a garantia da cesta básica mensal e de todas as 84 cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria até o mês de agosto do próximo ano. Cada uma das cláusulas corresponde a direitos superiores à lei trabalhista (CLT), a exemplo dos valores para o pagamento das horas-extras em dias de semana, e em domingos e feriados, mas também para os valores do adicional noturno.

Contudo, apesar do aumento de preço de quase tudo, dados oficiais do governo federal dizem que a inflação está baixa – cenário que talvez até acompanhe a baixo no consumo frente à crise econômica e desemprego.

São esses dados oficiais, como é o INPC, que balizam do tamanho do reajuste salarial. E baseado neles, a inflação acumulada nos 10 últimos é de 2,56%, sendo este índice oferecido pelas empresas para o aumento. Até aceitam garantir um pouco a mais, mas sem passar os 2,60%. Caso a categoria aceite, o atual piso salarial subiria para R$ 1.674,20 (gráfica) e para R$ 1.377,20 (empresa de reprografia). O aumento de 2,60% seria ainda aplicado para todos os salários limitados até R$ 9.779,10. Acima disso, seja qualquer valor, será garantida uma parcela fixa de R$ 391,16. A decisão final é dos trabalhadores durante a assembleia neste domingo.