REDOMA MANTÉM PRODUÇÃO, REDUZ 30% DOS GRÁFICOS E AINDA NÃO PAGA PELO TRABALHO ADICIONAL E EXCESSIVO

REDOMA

Fazer o gráfico trabalhar a mais e não receber pela jornada extra. Não é o sonho para qualquer empresário? Assim tem sido na gráfica Redoma, em Cajamar. A empresa reduziu de 90 para 62 funcionários e obriga-os a fazer horas-extras para manter a produção que antes era feita pelos gráficos em número maior. E, para piorar, põe a culpa na crise. E assim, ao invés de pagar pela hora-extra, implantou banco de horas ilegal. Com isso, os gráficos trabalham de graça e o patrão enriquece ainda mais com a mão de obra adicional sem a remuneração, sob a desculpa da necessidade de laborar a mais, sem ganhar, para manter o emprego. É fato que em crise a empresa não está. Basta observar a hora-extra. Outro fato é que usa o pretexto da crise para demitir quase 30 gráficos; obrigar os que ficaram para trabalhar no lugar dos demitidos, aplicando a jornada excessiva com os prejuízos correspondentes à saúde, vida social e ao convívio familiar, além de não pagar pelo serviço extra; e impor uma pressão psicológica com a perda do emprego. Também é fato que a prática é desleal, injusta e é ilegal, já que nenhum gráfica pode implantar o banco de horas sem antes negociar com o sindicato da categoria (Sindigráficos), tendo o aval dos empregados – fato este que nunca aconteceu na região de Jundiaí/SP.

ESTA2“Está tendo trabalho extra no local? Então não tem crise, logo, pague o trabalhador!”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Já foi solicitado esclarecimentos à Redoma sobre o banco de horas ilegal e que apresente como pagará os gráficos pelas horas-extras realizadas desde janeiro e ainda não pagas. Uma reunião deve ocorrer nos próximos dias. O dirigente critica a postura da empresa, sobretudo por ser reincidente. Ela já tentou implantar um banco de horas no passado, que foi coibido pelo sindicato, que acionou o Ministério do Trabalho Emprego.

A empresa usa o mecanismo do banco de horas para reduzir seu custo de produção com a folha de pagamento através da demissão de trabalhadores e do acúmulo de serviço sobre quem permanece.

JURA“O banco de horas não evita demissões, pelo contrário, tem colaborado para demitir os gráficos. Basta ver o que ocorre”, diz Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos. Ele conta que a Redoma, normalmente, tem 90 funcionários, em média, no primeiro semestre de cada ano. Porém, este ano, aplicou o banco de horas e ficou só com 60 gráficos com jornada excessiva de trabalho e sem receber pelo serviço adicional.

REDOMA4O advogado do Sindigráficos, Luisinho Laurindo, alerta aos empresários que o banco de horas é irregular porque não tem previsão legal para implantá-lo arbitrariamente sem acordo com o órgão sindical e dos trabalhadores. Portanto, ele explica que a Redoma deve pagar sim a hora-extra dos seus gráficos. A gráfica deve pagar 65% da hora-extra nos dias de semana e 100% nos domingos e feriados, conforme define a Convenção Coletiva da categoria, proibindo assim o banco de horas.

EMEPE6“Se a Redoma reduzisse para 60 gráficos e eles não precisassem fazer hora-extra, a crise até podia ser usada como motivo para a redução de quase 30 postos de trabalho habituais neste período. Mas como mantém a produção e jornada de trabalho excessiva, verifica-se que a redução de empregos foi um artifício usado para lucrar mais, sem nada ter com a crise”, critica Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos.

O diretor defender que a empresa recontrate os trabalhadores e para de impor a jornada de trabalho excessivo, com o agravante de não pagar pela hora extra. Não é justo manter a produção com um menor número de funcionários equivalente à demanda, elevando o ritmo de serviço e sem a referida remuneração dos seus empregados.

Doenças, riscos e perdas com jornada excessiva

REDOMA5A carga de trabalho excessiva gera muitos problemas para o gráfico, inclusive sobre sua saúde e segurança. “Extrapolar a jornada de trabalho com frequência e intensidade favorece uma série de doenças”, realça o diretor do Sindigráficos, Marcelo Sousa. Acidentes de trabalho também tornam-se mais comum devido o acúmulo da fadiga e cansaço.

Além disso, o trabalhador também é prejudicado com falta de tempo para se dedicar à sua família e a vida social em geral. O dirigente entende que o gráfico nesta condição vira um tipo de escravo, porque só tem tempo para produzir no trabalho.

REDOMA2“Ainda que tivesse recebendo pela hora-extra por conta do trabalho excessivo, fato que não está ocorrendo na Redona por ter implantado o banco de horas ilegal no lugar do justo pagamento, já não valia à pena trabalhar tanto pelos motivos mostrados, porém, o problema da jornada excessiva é bem superior”, diz Sousa. Ele conta que o trabalhador perde dinheiro de outro forma ao não receber pelo trabalho extra. A hora-extra, que consta no contracheque, incidi sobre outros direitos do gráfico, como no FGTS, Férias e no 13º salário, os quais são aumentados com base no número de horas-extras registradas e pagas.