REFEIÇÃO EM PÉ E ÁGUA AMARELA OFERECIDA A GRÁFICOS DA PEDREIRA AMEAÇAM SAÚDE. PODE HAVER MAIS FALHAS

Duas graves violações aos direitos convencionados do gráfico, que põe em risco a saúde dos trabalhadores da empresa Pedreira, na cidade de mesmo nome na região Serrana de SP, estão sendo investigadas pelo  Sindicato da categoria (Sindigráficos) depois de uma série de denúncias. As reclamações revelaram que o filtro de água está com problemas e os 20 gráficos do local têm sido obrigados a consumi-la mesmo com a cor amarelada e a qualidade bem duvidosa. O local para a refeição também apresenta problema. Não comporta a todos, sendo obrigados a comer de pé. Além disso, queixas de que a empresa voltou a sonegar parte do valor das férias, do pagamento salarial e da Participação dos Lucros e Resultados – pontos estes resolvidos no Ministério do Trabalho em 2015.

A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da classe é objetiva quanto à obrigação patronal de oferecer água de qualidade e refeitório adequado. Existem cláusulas específicas para cada item e devem ser seguidas ou uma multa por problema pode ser aplicada, conforme diz a CCT. Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos, explica que a empresa é obrigada a oferecer, no mínimo, água potável a todos seus funcionários, tendo que fazer a limpeza semestral dos filtros e de modo que todos observem, bem como realizar a análise clinica desta água uma vez por ano. Toda gráfica também tem de oferecer um local adequado para a refeição com esquentadores de marmitas suficientes para todo seu quadro funcional. Esta questão é obrigada às empresas que não oferecem vale-refeição.

O Sindigráficos notificará o dono da Pedreira para tratar das denúncias e cobrará as devidas adequações, caso sejam confirmadas. Antes porém, conversará com os trabalhadores para levantar sobre a existência de outros problemas. Até o momento, já ressurgiu a suspeita da retomada de uma sonegação praticada pela empresa no passado. Reclamações de pagamentos de direitos e salários abaixo dos previstos na CCT e nas leis trabalhistas gerais, como o não pagamento de um terço das férias, salário abaixo do piso da categoria e falhas na PLR, são algumas delas.

“Lembramos a empresa que, em 2015, o caso foi parar no Ministério do Trabalho. Na ocasião, a fim de acabar com qualquer suspeita sobre os pagamentos abaixo dos valores exigidos ou não pagos na sua íntegra, a Pedreira se comprometeu em abrir conta bancária para cada funcionário e fazer todos pagamentos via depósito no banco”, fala Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos. Desse modo, o sindicalista solicitará a empresa os comprovantes de depósito bancário para cada direito sob suspeita.

Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, lembra à Pedreira que tal exigência só se faz necessária diante da própria postura da empresa, pois reiteradas vezes foi questionada sobre valores pagos abaixo da lei. “Apenas  o comprovante de depósito bancário mostrará o real valor que foi pago aos seus funcionários”, pontuou o dirigente. Ele aproveita para orientar toda categoria para não assinar nenhum documento em branco ou com informações que não dizem a realidade no dia da assinatura. O gráfico que assinar sem receber produz prova contra si mesmo, não podendo recuperar depois seus direitos nem na Justiça. É perda total.