REPRESENTANTE DOS PATRÕES SE PREOCUPA COM GRÁFICAS SE BOLSONARO VENCER. TRABALHADORES TAMBÉM DEVERIAM

Na 1ª mesa de negociação salarial, realizada na última terça-feira (9), os intermediários do patronal das indústrias gráficas no estado revelaram para os sindicatos dos trabalhadores a aflição com o resultado das eleições presidenciais. O representante da maior entidade patronal do setor afirmou ter preocupações com o segmento se Bolsonaro for o eleito. Dentre os motivos postos, o receito de instabilidades diversas a partir de medidas e o perfil do próprio candidato e diante da insegurança que pode ser gerada com efeitos no quadro jurídico atual. O negociador também mostrou temor com Haddad – candidato que defende o fim da lei da reforma trabalhista de Temer, aprovada pelo deputado Bolsonaro, que retirou dezenas de direitos do trabalhador em benefício das empresas.

O intermediário do patronal mostra sensatez em ter preocupação com o que pode ocorrer com o setor gráfico, com os empregos dos atuais 180 mil trabalhadores brasileiros, em caso de vitória de Bolsonaro, posto que não sabe sequer o que acontecerá com a economia do Brasil, já que o presidenciável não sabe nada disso, como mesmo já falou, estando  vulnerável aos interesses dos que sabem. Paulo Guedes, por exemplo, que é anunciado por Bolsonaro como seu ministro da Economia, já falou que recriará o ICMS e aumentará o Imposto de Renda dos mais pobres. E seu candidato a vice-presidente, Mourão, criticou o 13º salário e o adicional das férias, mesmo após Bolsonaro dizer para não fazer isso.

Por estes e outros mais motivos, os trabalhadores também deveriam estar preocupados com Bolsonaro, se eleito presidente do Brasil. O próprio já anunciou a criação de uma carteira de trabalho na cor verde e amarela onde a redução de direitos será ainda maior que a própria lei da reforma trabalhista. “Não por estes motivos, mas se o representante de confiança do patronal gráfico demonstra preocupação com nosso setor, acho que o trabalhador deveria ficar bem mais”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos de Jundiaí e Região.

Como será que ficará, por exemplo, o projeto de lei do livro, de autoria do deputado federal Vicentinho (PT), que foi construído no Sindigráficos, em favor da indústria gráfica brasileira? O negociador patronal disse que as empresas estão animadas com o projeto, que está bem avançado do Congresso Nacional, e todas esperam que nada possa atrapalhar a sua conclusão e implementação real. Nos últimos anos, infelizmente, o setor gráfico sem perdendo um terço de sua produção e um dos fatores é a produção de livros educacionais brasileiro fora do país. Estima-se um déficit na balança comercial de 584 milhões de dólares. Essa perda implica em desemprego e na precarização laboral.

A preocupação do representante do patronal em relação à vitória do presidenciável Haddad também é um excelente indicativo para a classe trabalhadora, porque este candidato tem como uma das prioridades principais acabar com a nova lei trabalhista de Temer. “Logo, se Haddad promete revocar a lei que retirou direitos do trabalhador, ele é o melhor para o trabalhador, o que justifica a preocupação posta”, diz Rodrigues.