RESISTÊNCIA DE GRÁFICOS E DEMAIS CLASSES EM JUNDIAÍ, CAJAMAR E VINHEDO CONTRA FIM DO DIREITO TRABALHISTA

Uma significativa parcela da população do Brasil, cerca de 40 milhões de pessoas, deixaram de trabalhar na sexta-feira (28). Apesar da mídia, a exemplo da TV Globo, pouco falar da greve geral antes dela ocorrer, cidades ficaram vazias, transportes públicos não circularam, protestos e atos políticos ocorreram por toda parte e houve repressão policial contra os trabalhadores que fortaleciam a paralisação. Embora a maioria dos políticos, patrões e mídia atuaram para manipular a consciência do povo contra seu próprio direito, a classe trabalhadora fez da última sexta um dia histórico em prol de seus direitos. Foi uma data onde a atuação do movimento sindical e social mostrou que continuam sendo fundamentais para lutar contra governantes que buscam retirar direitos trabalhistas e previdenciário do povo, independente da sua consciência e vontade. Em Jundiaí, Cajamar e Vinhedo o cenário não foi diferente. O Sindicato dos Gráficos da região (Sindigráficos), juntamente com o movimento intersindical e social desses locais, atuou significativamente nos bloqueios aos acessos dos polos industriais dessas cidades e nos demais protestos e atos políticos nos centros de cada município.

“A nossa região foi importantíssima para engrossar a greve geral no país e não vamos parar agora. Apoiaremos a decisão das centrais sindicais contra a reforma trabalhista que altera mais de 100 direitos da CLT e tira  todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho dos gráficos ao transformá-los em terceirizados, temporários, parciais e outras formas de contratações”, disse Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, durante um protesto que reuniu cerca de 2 mil pessoas no centro de Jundiaí.

Antes do ato, ainda na madrugada, o dirigente se reuniu com outros trabalhadores e sindicalistas e bloquearam a Anhanguera (Km 29), em Cajamar, no sentido capital. Só não pararam a via nos dois sentidos devido a forte repressão policial, com uso de bombas, bala de borracha e violência.

A Câmara dos Deputados já aprovou a reforma trabalhista do Temer. Contou até com o apoio do único deputado federal da região, Miguel Haddad (PSDB). Resta só a posição do Senado. E a previsão é de que esta reforma seja votada nos próximos 30 dias. As centrais sindicais defendem inclusive fazer uma marcha de 100 mil trabalhadores em Brasília, a fim de pressionar os políticos a reprovarem esta mudança na lei do trabalho. Uma nova greve geral com dois dias seguidos também é defendida. O Sindicato adianta que apoiará toda e qualquer medida contra a reforma.

“A greve geral da última sexta foi só o início. Serviu sobretudo para mostrar que o governo está disposto a aprová-la de toda forma. Temer não se candidatará a nada, por isso não está preocupado, diferente do restante dos políticos”, pontuou o diretor do Sindigráficos, Jurandir Franco, durante o bloqueio que atuou na Anhanguera, em Jundiaí, próximo a alça de acesso em direção à Itu.

“Se aprovada a reforma trabalhista, o fim de direitos e a redução salarial serão ruins diretamente para os trabalhadores, mas também para os microempresários e também aos pequenos comerciantes”, ressaltou Franco durante a caminhada entre a Agência do INSS de Jundiaí até a Praça em Frente à Igreja Matriz do município. Ele lembrou que tais empresários e comerciantes dependem da economia interna aquecida para manter os seus negócios. Porém, com a queda do poder de compra dos trabalhadores diante dos efeitos da reforma, cairá o consumo e estes empresários perderão bastante.

Um comitê integrado entre o movimento sindical e social em Vinhedo foi criado para reagir contra a reforma trabalhista. O coletivo inclusive atuou nas atividades da greve geral, fechando por 2 horas a Rodovia Miguel Melharos – acesso ao polo industrial na cidade, onde reúne as maiores gráficas da região. Houve também uma caminhada em direção ao centro do município, quando foi realizado um grande ato político. O Sindigráficos foi um dos coordenadores das ações no local.

“Enquanto o desemprego continua a crescer, ultrapassando 14 milhões de pessoas, Temer e seus congressistas aliados não geram empregos, pelo contrário, e ainda defendem, de forma manipuladora, a retirada dos direitos de quem está empregado”, repudiou Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos que atuou na região de Vinhedo. O sindicalista informa que o comitê continuará atuando enquanto durar o ataque dos políticos e patrões aos direitos trabalhistas e previdenciários.