SALÁRIO, PLR E CESTA BÁSICA DE GRÁFICOS TÊM GANHO REAL NA INAPEL E MAIS BARREIRA CONTRA REFORMA TRABALHISTA

Depois de conseguir a renovação de um acordo coletivo (ACT) em favor dos 100 gráficos da filial da Inapel em Jundiaí, definindo a jornada de trabalho só de 2ª a 5ª feira, o Sindicato da classe  (Sindigráficos) acaba de garantir outro acordo avançado. O objetivo foi a questão econômica. O 2º ACT define o reajuste salarial de quase o dobro da inflação anual. Garante também um ganho real bem maior na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O reajuste foi de 17% enquanto a inflação foi 1,83%. E o valor do vale alimentação foi mais superior que o dobro da inflação.

Além disso, foi garantido cláusulas de barreiras à aplicação da reforma trabalhista do Temer em relação ao fim da homologação da rescisão de contrato de trabalho no Sindicato e à liberação total do banco de horas. “A homologação continua no Sindigráficos e a empresa continua sendo obrigada a pagar a hora-extra em dinheiro”, diz Leandro Rodrigues, presidente do órgão dos gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região. Com isso, só haverá banco de horas se o sindicato e os trabalhadores quiserem. Se não houvesse o referido ACT, a lei da reforma trabalhista, por sua vez, dava ao patrão a autonomia plena de implantar esse banco.

Já o reajuste salarial foi de 3%. Houve ganho real em comparação com a inflação anual de 1,83%. O menor salário na empresa passa para R$ 1.584. O percentual deve ser aplicado para o trabalhador que recebe até R$ 11.062,62. Acima disso, acrescenta-se R$ 331,88 sobre o salário. O mês de referência do reajuste é em novembro. Portanto, pelo acordado, a diferente salarial no salário de novembro, dezembro e 13º salário será paga em forma de abono. E o índice entra oficialmente na folha salarial a partir de janeiro. Os gráficos da matriz da Inapel em Guarulhos também conquistaram tal reajuste. O Sindicato da região atuou também com firmeza. A ação conjunta dos sindicatos foi fundamental no avanço.

A PLR dos gráficos da Inapel em Jundiaí teve reajuste de 17%. Subiu de R$ 1.066,30 para R$ 1.250. O pagamento será em duas parcelas iguais de R$ 625, sendo pagas em 31 de março e em 30 de setembro. O valor da cesta básica, que é paga em forma de vale alimentação, subiu 5%.

“Aguardamos mais gráficos de outras gráficas que estiverem dispostos a se sindicalizar e a lutar junto conosco em busca da evolução financeira e meios de frear a aplicação da reforma trabalhista através dos ACTs”, diz Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos. A entidade tirou como bandeira de luta para 2018 o combate à implementação da nova lei do trabalho.

O movimento sindical dos gráficos do estado até que conseguiu garantir a renovação da convenção coletiva de trabalho, conjunto de direitos que abrange todos gráficos do estado, mas a reação dos trabalhadores não foi a suficiente para barrar a reforma. A única forma agora é através dos ACTs por empresa, como na Inapel. “Eis a relevância dos gráficos de se organizarem em torno do Sindigráficos, filiando-se para fortalecerem o órgão para exigir tais conquistas”, diz Valdir Ramos, diretor do sindicato. Devido ao acordo, o valor da PLR dos gráficos da Inapel, por exemplo,  é 20% maior em comparação com a PLR paga pela convenção coletiva.