Sem alternativas ao cálculo da aposentadoria

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A dois dias do prazo final para sancionar ou vetar a lei do fator 85/95 para o cálculo da aposentadoria, o governo federal frustrou os sindicalistas e não apresentou alternativa à nova fórmula aprovada pelo Congresso. Uma das propostas cogitadas é a adoção de uma idade mínima, mas os quatro ministros escalados para negociar com as centrais sindicais discordaram sobre o tema. Diante da indefinição, os representantes de sindicatos de todo o país fazem a partir de hoje uma vigília em frente ao Palácio do Planalto para pressionar a presidente Dilma Rousseff sancionar as mudanças no fator previdenciário. 

Na reunião ontem com as centrais sindicais, o ministro da Previdência, Carlos Gabas, alertou para insustentabilidade da adoção do fator 85/95 para as contas do governo. O modelo permite a aposentadoria com valor integral, desde que o tempo de contribuição mais a idade some 85 pontos para a mulher e 95 pontos para o homem. Gabas argumentou que o sistema previdenciário ficará totalmente inviável se as regras atuais forem mantidas. Hoje, segundo ele, há 9,3 pessoas em idade ativa para cada idoso. Em 2060, a relação será de 2,3 pessoas em idade ativa para um idoso. Segundo o ministro, a presidente Dilma ainda não tomou uma decisão sobre o veto à proposta aprovada pelo Congresso.

Gabas repetiu que o governo tem responsabilidade de propor uma regra sustentável para a Previdência, mas que se trata de uma questão de Estado e não de governo.
Os representantes das centrais sindicais saíram frustrados do encontro, mas firmes na defesa do fator 85/95. “Tentaram sensibilizar as centrais com o déficit da Previdência, mas não apresentaram uma proposta. Se o governo vetar o fator 85/95, vamos nos articular para derrubar o veto no Congresso”, diz Miguel Santos, presidente nacional da Força Sindical.

O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) Ademir Camelo reforça que as centrais estão fechadas com o fim do fator previdenciário. “Se o governo quiser discutir novas regras de aposentadoria, inclusive a idade mínima, terá primeiro que sancionar o fator 85/95.” Em nota, o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, destaca que é essencial a presidente manter a fórmula 85/95 aprovada pelo Congresso, porque repara parcela de danos provocados pelo fator previdenciário.

O prazo final para Dilma vetar ou sancionar as mudanças no fator encerra amanhã.

FONTE: DP