SEM CRISE, EMEPÊ BATE RECORDES PRODUTIVOS, MAS HÁ DENÚNCIA DE JORNADA EXCESSIVA E RECLAMAÇÃO NO PPR

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Ao contrário de crise, a gráfica Emepê, em Vinhedo, acumula recordes em faturamento e de produção nos últimos tempos. Até almoço especial ofertou para seus trabalhadores em comemoração aos bons resultados. Porém, ao invés de festejar, os funcionários se queixam do retorno da prática de jornada excessiva, sobretudo do horário noturno, e exigem que a empresa retome as contratações de novos profissionais diante do desempenho produtivo. Além disso, reclamações também chegaram ao Sindicato da categoria (Sindigráficos) onde os trabalhadores apontam que não sabem se a empresa pagou todo dinheiro relativo ao Programa de Participação dos Resultados, já que alegam que não houve transparência sobre as avaliações das metas alcançadas. O PPR, que foi firmado em 2015 pela Emepê, funcionários e Sindigráficos, estabelece de R$ 937 a um salário nominal extra para cada gráfico, a depender das metas alcançadas, bem como o período de avaliações das metas e a data de pagamento, que fora em fevereiro. O Sindicato se reunirá com a empresa para tratar dessas questões na quarta-feira (17). Na ocasião, cobrará explicações sobre o fechamento do PPR 2015 e o pagamento, além de uma possível negociação do PPR para este ano e suas respectivas metas e demais questões pertinentes. 

emepê2“Já tivemos vários problemas com a Emepê em relação a aplicação de jornada excessiva sobre os trabalhadores, inclusive este ano quando realizamos uma manifestação na frente da empresa com os gráficos”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. À época, a empresa se comprometeu em acabar com esta prática e contratar para sanar a questão provocada diante do excelente desempenho produtivo no local. Porém, as queixas surgem novamente e é preciso dar um basta nisso. O dirigente diz que não há justificativa de não contratar mais trabalhadores, a empresa vem superando todas as metas em faturamento e produção.

emepe3Problemas na execução do PPR 2015 e seu pagamento foi denunciado pelos gráficos e é preciso que tudo também seja esclarecido, até porque a Emepê acumulou questionamentos sobre a questão ao longo dos últimos anos. “Desde 2007 acompanhamos problemas neste quesito”, critica Jurandir Franco, diretor do Sindicato. Ele fala que naquele ano a empresa bateu as metas, superando os resultados produtivos, mas, ao invés de pagar o estabelecido pelo PPR, optou contraditoriamente pela Participação dos Lucros e Resultados (PLR), que tinha valor menor que o PPR. Apesar do Sindicato não concordar, havia pouca unidade dos gráficos no local, o que inviabilizou mobilizações para mudar a situação.

Com o passar dos anos, a consciência de classe da trabalhadores aumentou e, junto com a ação do sindicato, exigiram um novo PPR no ano de 2013. Apesar de toda pressão, apenas em junho de 2015 a PPR voltou. Ficou acordado que o desempenho entre os meses de julho a dezembro podia render uma bonificação variando de R$ 937 a um salário normativo extra para cada gráfico, a depender das metas alcançadas. Ainda ficou certo que  a cada mês a empresa mostraria os resultados aos gráficos e em janeiro deste ano faria uma avaliação geral, todas essas etapas com a participação de sindicalistas, e em fevereiro efetuaria o pagamento.

emepe4“As várias denúncias atuais dos trabalhadores, no entanto, relatam que nada disso foi cumprindo e a Emepê só pagou em março e apenas R$ 937 para todos gráficos”, conta o advogado do Sindigráficos, Luis Carlos Laurindo, que avalia o caso e adianta que participará da reunião sobre a questão com representantes da empresa na próximo quarta-feira (17).