SEM FGTS HÁ 10 ANOS, OS GRÁFICOS DA ROTAPLAN, ANTES INERTES, AGORA TEMEM DANO E SE REÚNEM COM SINDICATO

Nesta quarta-feira (2), temendo danos após esperarem, sem êxito, mais de 10 anos o pagamento de seus FGTS por parte da empresa Rotaplan, em Valinhos, todos os trabalhadores gráficos decidiram se reunir com o Sindicato da classe (Sindigráficos) para tratar da questão. A iniciativa foi da própria entidade em prol deles frente os riscos que todos inclusive correm devido à falta de unidade entre si para defenderem seus próprios direitos ao longo dos anos, onde a maioria continua sem se sindicalizar. O fato é que, diante disso, é preciso uma nova postura para não ficarem no prejuízo. E a reunião contará inclusive com a direção da empresa. O objetivo central de todos é encontrar uma solução efetiva para o caso. Existe até uma hipótese informal sendo ventilada por parte da empresa.

Contudo, o Sindigráficos logo adianta que o direito da classe é sagrado e terá a chance de debater sobre isto com os trabalhadores na reunião. “Não foram poucas as vezes que convocamos anteriormente os gráficos para enfrentarmos este problema juntos, mas adiantamos que esta será a última vez se eles não estiverem dispostos”, frisaram Valdir Ramos e Jurandir Franco, diretores do Sindigráficos. A maioria ainda não se filiou ao sindicato, dificultando a força da entidade em defesa deles mesmos.

Enquanto o Sindigráficos aguarda que as sindicalizações conscientes e necessárias ocorram, sobretudo diante de novas ameaças que chegarão  contra o gráfico com a reforma trabalhista em vigor em 73 dias, o órgão fará todo o possível para garantir o FGTS integral de todos da Rotaplan. A empresa inclusive sinaliza de forma informal em oferecer um imóvel como garantia de pagamento do valor que deve relativo ao FGTS. Caso se consolide tal hipótese, o sindicato avaliará juridicamente a questão.

Para Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindigráficos, a depender das condições do imóvel, se o seu valor comercial abarcar toda a dívida com o FGTS dos gráficos e se não tiver restrições jurídico/judicial, é possível sim este tipo de transferência do patrimônio em favor dos trabalhadores.

O imóvel, especula-se no caso ser um terreno em Valinhos, ficaria como uma garantia real de pagamento da então dívida. E se a Rotaplan não pagá-la em um tempo negociado por todos durante a reunião, a venda do imóvel ocorrerá e o dinheiro será repassado para cada um envolvido. “Para que isso ocorra, faz-se a transação/acordo na escritura pública de registro de imóveis responsável, repassando o terreno aos cuidados do Sindigráficos em nome de cada um dos trabalhadores”, conta Laurindo.