SEM MINISTÉRIO DO TRABALHO, SINDICATO FICA COMO ÚLTIMA TRINCHEIRA EM DEFESA DO EMPREGO, SALÁRIO E DIREITOS DOS GRÁFICOS

Em 88 anos de existência no Brasil, nunca o Ministério do Trabalho deixou de existir diante da sua importância para gerir e organizar as relações entre o capital e o trabalho. Continuou até na Ditadura Militar (1964-1985) dada sua função social de cuidar da geração do emprego e renda do brasileiro, bem como da política salarial e garantia dos direitos dos gráficos e demais profissionais. Agora, após a vitória na eleição presidencial, Bolsonaro disse que fechará o ministério, apesar do órgão continuar tento a mesma função indispensável, além da mediação de conflitos, fiscalização e punição das empresas infratoras, de ser responsável pelas questões da modernização do trabalho, formação e desenvolvimento dos empregados, do combate à escravização e contrário ao trabalho infantil, entre outras funções sociais.    

O Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e região (Sindigráficos), entidade que sempre se posicionou contra projetos políticos neoliberais (aquele que defende patrão e é contra trabalhador, a exemplo do de Temer ao golpear Dilma para criar a reforma trabalhista onde retirou dezenas de direitos), classifica Bolsonaro de ultraneoliberal com este anúncio do fim do único ministério que apoia os sindicatos em prol do emprego, salário, direitos e condições de trabalho do empregado.

“Desde antes do golpe em Dilma, da enganação para aprovar a reforma trabalhista, do projeto da Ponte para o futuro de Temer, da prisão do Lula sem provas para tirá-lo da eleição e da enganosa campanha Bolsonaro, nós, do sindicato, alertávamos os gráficos e a sociedade para não se deixarem enganar, pois tudo fazia parte do projeto para atacar a classe trabalhadora”, relembrou Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O Ministério do Trabalho nunca perdeu seu poder. Se não existisse as unidades do ministério nas cidades da região, o sindicalista lembra que muitos dos casos de irregularidades e conflitos na maioria das gráficas jamais teriam sido resolvidos de forma pacífica. O Ministério tem poder de polícia, ou seja, fiscaliza, autua e multa empresários que atacam direitos.

Se deixar de ter o ministério, mesmo que atualmente sucateado de forma intencional, não haverá mais denúncia e fiscalização dos maus patrões. O trabalhador não terá mais a quem denunciar quando não receber o PIS e o 13º salário. Os sindicatos não terão mais o órgão como mediador com as empresas para corrigirem irregularidades contra os empregados e etc.  A política do menor-aprendiz, do combate ao trabalho infantil e escravo não terão mais a centralidade atual. O seguro-desemprego correrá risco. A lista de prejuízos é significativa para o trabalhador e positiva ao patrão ruim. Será bom inclusive para Bolsonaro implantar a sua promessa de se ter o emprego sem direitos (Carteira do Trabalho na cor verde e amarela).

 

O desafio do gráfico e demais profissionais será imenso sem o Ministério do Trabalho. O cenário que se aproxima, dada em função do trabalhador mais uma vez não ouvir os alertas do Sindigráficos, é muito complicado. O momento demanda, portanto, uma retomada histórica de consciência da classe trabalhadora, onde somente unificados e organizados poderão resistir, no que for possível, às atrocidades colocadas pelo novo governo. Dessa maneira, eleva-se a necessidade e urgência da sindicalização dos gráficos de modo a criar uma correlação de força para enfrentar o arbítrio de políticas ultraneoliberais favorável ao patrão e contrárias ao trabalhador.