SENADORES REJEITARAM ONTEM REFORMA TRABALHISTA, MAS OUTROS JÁ A RESSUSCITAM HOJE E QUEREM VOTÁ-LA

Por 10 votos a nove, senadores da Comissão de Assuntos Sociais (CAS)  enterraram nesta terça-feira (20) a reforma trabalhista do Temer, mesmo com o governo contando com a maioria no Congresso Nacional, apesar do presidente do país ser um corrupto como apontou a Polícia Federal e que dirá se ele praticou organização criminosa e se obstruiu a Justiça. O fato é que, com tais crimes surgindo, senadores, antes aliados, optaram por votar contra a reforma que destrói a CLT. Esta vitória do movimento sindical e da classe trabalhadora no CAS foi bem significativa e enche a todos de ânimo pois se inicia a queda deste governo ilegítimo e golpista. O problema, porém, é que ainda não é o fim da reforma trabalhista, pois, outros senadores, ainda fiéis a Temer e contra o direito do trabalhador, ressuscitaram o texto que perdeu ontem no CAS e reapresentarão hoje em outra comissão do Senado (CCJ). E querem pô-lo para votação já na quarta-feira (28). Anunciam também que acelerarão a votação do texto como prioritário na etapa final de sua apreciação no plenário do Senado. Se isso ocorrer, Temer poderá transformar a reforma em lei. Com isso, os patrões poderão, com respaldo legal, reduzir salários e tirar direitos, bem como afastar o sindicato da classe e a Justiça ainda ficará limitada. 

Portanto, a vitória de ontem mostra que foi uma batalha importante, mas a guerra contra o desmonte da CLT continua no CCJ e no Plenário na próxima semana. Desse modo, apesar das provas de que esse governo é corrupto e pode ser muito mais criminoso; e que a reforma trabalhista não gera emprego, mas transformará os existentes em subtrabalhos, é a hora do movimento sindical e da classe trabalhadora encarar a próxima semana como a grande batalha que definirá a guerra sobre tal reforma.

Chegou a hora da classe trabalhadora e do movimento sindical ir para cima dos políticos que defendem a retirada de nossos direitos. Apesar da vitória no CAS ontem, o jogo não foi ganho. “Portanto, os gráficos e  demais classes profissionais precisam ampliar a pressão para ganhá-lo. E esse jogo, essa guerra contra a reforma se ganhará com a nova greve geral na sexta”, convoca Leandro, Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região (Sindigráficos). Foi por isso que desde ontem o movimento social e sindicalistas iniciaram o “esquenta” para a realização da nova greve geral no país no dia 30/06. Dirigentes do Sindigráficos e de outras classes realizaram panfletagens ontem em Jundiaí e estiveram em outra ação na Praça da Sé, na capital.

O Sindigráficos entende que mais do que nunca é a hora do Brasil parar contra a reforma trabalhista. “Portanto, o movimento sindical precisa se manter unido, aquém de qualquer outro interesse, como foi quando fez a  maior greve geral do país no 28 de abril. A garantia dos direitos sindicais e trabalhistas dependem demais de outra greve forte”, frisa Rodrigues, realçado que o ânimo para luta cresceu com a vitória de ontem no CAS.

Os trabalhadores gráficos têm um papel especial nesta nova greve. “A memória dos heroicos gráficos do 7 de Fevereiro de 1923 e o legado da luta operária da nossa categoria precisam ser preservados com a nossa participação expressiva nesta greve geral no dia 30 contra o desmonte da CLT, das nossa Convenção Coletiva de Trabalho e nossa dignidade e história”, diz emocionado Rodrigues. Ele lembra que não foi à toa que a Confederação Nacional da categoria (Conatig) tirou uma resolução há poucos dias para que todos os 220 mil gráficos brasileiros entrem nesta batalha. A diretriz definida entende ainda que é preciso que Temer deixe a Presidência e o povo escolha através do voto seu novo representante para acabar os ataques descarados aos direitos dos pobres e da classe trabalhadora e que estanque tanto caos e corrupção em que vive o país.